Gestores de fortunas veem ESG em xeque com alta do petróleo

Gestores de fortunas veem ESG em xeque com alta do petróleo

Bruna Camargo

15 de maio de 2022 | 05h30

Plataforma da Petrobras; ações de petroleiras avançam  Foto: Fabio Motta/Estadão

Com a disparada do petróleo, as ações das petroleiras foram na mesma direção. Só no Brasil, os ganhos superaram entre 20% e 30% no ano. Atrás desse lucro, gestores de fundos têm intensificado a compra de papéis do setor – altamente poluente. Com o movimento, os escritórios que trabalham com grandes fortunas e que tinham como estratégia de venda investimentos com base em critérios ESG (ligados às boas práticas ambientais, sociais e de governança) estão adaptando seu discurso. Segundo eles, uma minoria dos clientes exige uma carteira comprovadamente “limpa”. Também dizem que as diretrizes ESG não são feitas para “salvar o mundo”, mas sim para servir como ferramenta de gestão para cumprir o dever fiduciário com o investidor.

GESTORAS COLOCARAM TEMA NA PAUTA

Desde que o assunto virou um tema no mundo dos investimentos, a Brainvest Wealth Management, por exemplo, fez o que Rodrigo Eboli, gerente de portfólio, chama de “jornada ESG”. Além de integrar as questões ligadas à área nos processos de investimento, capacitou o time. Também inseriu uma seção ESG no questionário de avaliação das gestoras de fundos.

Na Wright Capital Wealth Management, o movimento foi semelhante. De acordo com o sócio Rubens de Freitas, eles começaram a falar com os gestores sobre ESG como ferramenta de gestão e não para ‘salvar o mundo’. Os critérios influenciam mais no cálculo do valor da empresa e permitem enxergar melhor riscos e oportunidades.

As gestoras dizem que o efeito deve ser de longo prazo. De acordo com Eboli, na Brainvest, a pontuação dada aos fundos via questionário passou a ter peso maior na aprovação das investidas. Será cobrada uma evolução das gestoras na carteira, conforme o questionário se repita periodicamente e a ideia é usar essa influência para tentar melhorá-las.

“Se não houver mudança, podemos sim reduzir posição ou desinvestir”, diz ele. “Mas a gente tentou não criar algo que seja inflexível, como exclusão (de setores). É uma avaliação mais subjetiva para ver como a gestora está olhando para o tema e se as práticas estão mudando.”

Freitas, da Wright Capital, afirma que ainda não houve resgates de fundos por conta dos critérios ESG. Para ele, essas diretrizes não são “preto no branco” e deve existir flexibilidade. Em seu portfólio, há gestores que não investem em determinados setores, mas os motivos costumam ser outros que não o ESG.

No frigir dos ovos, fundos e gestores atendem a demandas dos investidores. De acordo com os especialistas, eles veem o ESG “muito positivamente”, mas há poucas famílias ricas que criam objeções a determinados tipos de investimento.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 13/05/22, às 17h18

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