Gigante asiática Shopee adota ofensiva agressiva para tentar ganhar corpo no Brasil

Gigante asiática Shopee adota ofensiva agressiva para tentar ganhar corpo no Brasil

Talita Nascimento

03 de agosto de 2021 | 05h34

Crédito da foto: Nilton Fukuda/Estadão

Shopee e AliExpress acirram competição no comércio eletrônico  Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Fundada em 2015 em Cingapura como parte da Sea Limited, a Shopee, plataforma líder de e-commerce no Sudeste Asiático e Taiwan, não tem poupado esforços para acelerar o ritmo de crescimento no Brasil. A operação local foi iniciada em 2019 com políticas de frete grátis e descontos agressivos, além de poucas exigências para quem quer ser seu lojista virtual. A lógica é ganhar escala. Quanto mais consumidores são atraídos pelos descontos, mais lojistas querem estar ali. Quanto mais opções de produtos, mais tráfego a plataforma atrai.

A estratégia já virou um ponto de atenção para analistas e investidores locais. Na visão do Goldman Sachs, a chegada da rede deve ajudar a fazer o bolo do comércio eletrônico local a crescer. “Embora reconheçamos que os investimentos da Sea em subsídios para frete grátis e funcionalidades inovadoras podem intensificar ainda mais a competição no mercado de comércio eletrônico ferozmente disputado do Brasil, também acreditamos que ele está acelerando o ritmo de migração do consumo para o online, fazendo o todo crescer”, diz o banco em relatório. No geral, os analistas acreditam que as investidas da Shopee, assim como as do AliExpress, deixam a competição mais animada, sem inviabilizar o jogo.

Uma nova ofensiva da Shopee está em curso. A empresa vai disponibilizar R$ 3,5 milhões em descontos, além de outras ofertas em produtos nacionais e internacionais de mais de 20 categorias entre os dias 1 e 8 de agosto. A maior parte das ofertas virá no Dia dos Pais. A partir das 0h do dia 8, serão R$ 2,5 milhões em vouchers de desconto, cupons de frete grátis sem mínimo de compra e outras ofertas. A estratégia está em linha com a mensagem passada em propagandas que chegaram a exibir em horário nobre na TV aberta.

A Shopee permite o registro de vendedores tanto com CNPJ quanto com CPF. Sem taxas para a publicação de produtos na plataforma, a empresa ganha uma porcentagem sobre o que é vendido. Trata-se de um caminho mais fácil para pequenos lojistas informais venderem seus produtos digitalmente, numa direção praticamente inversa à do Mercado Livre. O grande marketplace começou com vendedores mais informais e, hoje, busca lojistas maiores para atrair público, bem como incentiva a formalização dos comerciantes menores que ainda vendem pela plataforma. Mesmo com esse enfoque, a empresa argentina ainda é criticada por ter um nível de informalidade maior que as concorrentes brasileiras. O Shopee, por sua vez, ainda não tem direções claras sobre como evitar esse problema.

Crossborder

Apesar dos esforços da gigante asiática para ganhar lojistas locais, o principal negócio dela e da AliExpress (da chinesa Alibaba) ainda é o ‘crossborder’, quando o consumidor compra produtos importados pela internet. Nenhuma das duas publica dados de faturamento no Brasil. Mas segundo informações de maio da consultoria Conversion, ambas competem de igual para igual quando o assunto é a importação de produtos. O AliExpress tinha 32,6% do mercado, enquanto a Shopee somava 30,6%.

O presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, diz que o consumidor brasileiro pode ficar inseguro e perdido em aplicativos de e-commerce como esses. A maneira de expor os produtos de forma quase poluída de promoções tem bastante apelo para o público asiático, mas ainda pode não ser a melhor experiência de compra na cultura de consumo do brasileiro. Apesar disso, o frete grátis – que é apontado por especialistas como uma das coisas mais importantes para os clientes digitais brasileiros – faz sucesso.

Terra chama a atenção, ainda, para um fenômeno próximo do que seriam “sacoleiros digitais”. A percepção é de que um número grande de consumidores do comércio “crossborder” seja de comerciantes que compram nessas plataformas por preços mais baixos e prazos de entrega maiores e revendam em outras plataformas.

Ele explica que muitas vezes vendedores rastreiam produtos com altos níveis de busca e potencial de vendas, trabalham o marketing desses itens de forma local, e realizam as encomendas nos sites estrangeiros conforme surgem os pedidos locais. Nesse caso, a vantagem para o consumidor final é, simplesmente, comprar de alguém em quem ele confie mais. Esse tipo de fenômeno, explica Terra, é possível pois as empresas de importação têm diminuído seu tempo de entrega para o Brasil. Além disso, há quem faça as compras nas asiáticas para ter estoque de pronta entrega e vender pelos marketplaces mais tradicionais. Nessa modalidade, o preço fica mais alto.

O responsável pela operação brasileira do AliExpress, Yan Di, disse anteriormente ao Broadcast que o consumidor brasileiro médio da plataforma é adulto, tem 35 anos e chega a consumir até R$ 1.900 por mês no e-commerce. Pelo volume de compras dos clientes, calcula-se que boa parte deles compre para revender os produtos em outros marketplaces.

Dia dos Pais aquecido

Uma pesquisa realizada pela Shopee, na primeira semana de julho, com mais de 3.800 brasileiros de todas as regiões do País revelou que os brasileiros pretendem gastar em média R$ 245 com o presente dos pais, um valor de intenção de consumo superior ao apontado no estudo feito para o Dia dos Namorados que foi de R$ 240 e para o Dia das Mães de R$210.

De acordo com o levantamento, a maior parte do grupo entrevistado (60%) faz compras online há mais de um ano, é mulher (67%) e com faixa etária entre 31 e 45 anos. Os resultados revelaram ainda que o ticket médio de gasto para quem compra na internet há mais de um ano será ainda maior, R$ 263; já para os compradores de seis meses será de R$226 e para quem está há menos de seis meses comprando no universo digital, o valor médio será de R$204.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 30/07/2021, às 19h59.

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