Gigante de análise de investimentos Morningstar fecha acordo com a Eleven para atuar no Brasil

Gigante de análise de investimentos Morningstar fecha acordo com a Eleven para atuar no Brasil

Aline Bronzati

21 de julho de 2021 | 05h00

Investidores locais, pessoas físicas ou institucionais, terão acesso a mais análises FOTO ALEX SILVA/ESTADAO

A gigante norte-americana de análise de investimentos Morningstar firmou um acordo estratégico com a Eleven Financial Research para explorar o Brasil e também a América Latina. A união vai permitir um salto na cobertura de ativos da casa brasileira das atuais cerca de 175 ações de empresas para mais 500 companhias listadas globais, 200 ETFs (fundos de índices), além de uma gama de fundos de investimento, cujas análises serão disponibilizadas a investidores locais, pessoas físicas e institucionais.

Do lado da Morningstar, a companhia, que acaba de superar os US$ 10 bilhões em valor de mercado na Nasdaq, o acordo reforça sua presença no Brasil, onde atuava mais voltada aos investidores institucionais, por meio de um escritório de representação no País. Por outro lado, a Eleven, que recentemente foi adquirida pelo banco Modalmais, avança em seus planos internacionais. A América Latina é o próximo alvo, com os dois ou três primeiros países já definidos – mas ainda guardados em sigilo – pelos novos parceiros.

As condições financeiras do acordo, sem prazo definido e de início imediato, não foram divulgadas. “É a formação de uma aliança estratégica que começa no mercado brasileiro, sem limite de fronteira dentro da América Latina”, diz o fundador da Eleven e sócio do Modalmais, Adeodato Netto, conhecido no mercado como Dato, sem revelar os próximos passos.

Antes de dar voos maiores, a norte-americana Morningstar estudou o mercado brasileiro em 2019, conforme apurou o Broadcast com fontes de mercado. Uma das barreiras era exatamente a língua portuguesa, essencial para desbravar o investidor local. Do garimpo no mercado, saiu o namoro com a casa de análises brasileira, que durou um ano e meio e atravessou a pandemia.

Se para as gestoras de recursos as requisitadas estrelas da Morningstar são uma chancela, para a Eleven, a parceria vai reforçar, nas palavras de Dato, o conceito que fez da brasileira, criada em 2015, o que é hoje: a análise de investimentos como um serviço, da expressão em inglês research as a service (RAAS), além, claro, de um impulso nos ganhos. O potencial, segundo ele, é de que a geração de receita a partir do acordo seja tão grande quanto a operação brasileira da Eleven, em um prazo de dois a três anos.

“Análise no formato que o cliente desejar”

Para a CEO da Eleven, Maria Teresa Meyer, o “céu é o limite”, e o foco é o consumo de análises pelo cliente, no formato que ele desejar. “Tem cliente que não quer nem ver relatório, quer podcast. O que a gente vende é análise seja em forma de relatório, podcast, conversa com nossos especialistas”, afirma ela.

Tanto é que os relatórios seguirão sendo publicados em português. Também, corrige Dato. Isso porque o conteúdo estará disponível em inglês e em português. Além de uma gama de soluções em pesquisa global para investidores locais, as novas parceiras querem desbravar um universo de soluções customizadas e cobranded, ou seja, com a bandeira das marcas Morningstar e Eleven, além de estratégias de alocação de recursos. No mundo, as recomendações da norte-americana alcançam um universo de US$ 244 bilhões em ativos.

“Estamos ansiosos para trabalhar com a Eleven Financial e levar nossas pesquisas e insights independentes a mais pessoas”, diz o chefe de produtos de research da Morningstar, Marc DeMoss.

De acordo com o fundador da Eleven, as equipes das duas casas de análises iniciaram um trabalho de integração há alguns meses. Os primeiros frutos devem aparecer em agosto. A volatilidade do mercado – que ganha doses extras por conta do caos político em Brasília – não assusta. “Quando a gente olha o mercado endereçável, há alguns trilhões de reais adicionais em investimentos… Olha o quanto de dinheiro ainda temos em poupança”, diz ele.

Para a coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV EAESP, Claudia Yoshinaga, a parcela de brasileiros que investe em instrumentos de renda variável e similares é “muito pequena” frente à população, o que por si só já salta aos olhos local e estrangeiro. “O mercado potencial é gigantesco. Temos pouco mais de 2 milhões de pessoas na Bolsa”, diz ela. O número de 3 milhões da B3 são de contas existentes e não de pessoas físicas.

Além disso, o DNA do brasileiro, de investir em título público e ganhar 15% ao ano sem estudar as aplicações, faz parte do passado. “Esse é ponto: é o que faz com que muitos apostem que o mercado de investimentos pode decolar no Brasil”, afirma a professora da FGV.

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 20/07/2021, às 15h34.

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