Gigante cripto de Hong Kong se prepara para abrir filial no País

Gigante cripto de Hong Kong se prepara para abrir filial no País

Cynthia Decloedt

20 de abril de 2022 | 05h20

 

Representação de bitcoin; mercado de criptoativos cresce no País   Foto: Reuters/Edgar Su

A OSL, corretora de cripto sediada em Hong Kong, aguarda a aprovação da regulamentação brasileira, em tramitação no Congresso, para abrir uma filial no Brasil. Listada na bolsa de Hong Kong e tendo como público-alvo os investidores institucionais, a OSL tem presença física somente em mercados regulados. Por meio de sua plataforma global, porém, a OSL já atua virtualmente no Brasil para as três gestoras que têm nove ETF negociados na B3. Dá liquidez a esses fundos, por meio da compra e venda de criptoativos, bem como para corretoras de cripto brasileiras, especializadas em pessoas físicas.

Globalmente, a OSL negocia mais de US$ 3 bilhões ao mês, sendo boa parte movimentados por grandes fundos estrangeiros que operam criptomoedas, inclusive diretamente plugados à mesa da corretora.

Guilherme Rebane, responsável pela OSL na América Latina, não revela quanto é negociado por meio da plataforma o Brasil. No entanto, a mesa é responsável por mais da metade do fluxo institucional de criptomoedas no País. O Brasil é hoje o quarto maior mercado de cripto, depois da Ásia, Europa e Estados Unidos, o que tem atraído companhias de fora.

A OSL tem a maior parte de seu time de 300 empregados em Hong Kong, mas tem presença em Cingapura, Reino Unido e México. Nos Estados Unidos, busca licença para operar. Para atender às necessidades de compliance de seus clientes, a empresa limita até o momento a 20 as ofertas de criptoativos negociados em sua plataforma.

Todas as negociações são feitas em dólares, e um dos desdobramentos esperados em torno da nova lei brasileira é a possibilidade de os negócios serem feitos em reais. Rebane diz que a regulação deve mudar o jogo localmente. A própria empresa tem sido consultada por instituições financeiras estrangeiras que demonstram curiosidade pelo Brasil, assim como por investidores institucionais locais que aguardam pela regulação.

A movimentação dos estrangeiros já é notada. A Binance, maior corretora de cripto para investidores pessoas físicas, tem dito que fincará o pé no País. A Coinbase, norte-americana listada na Nasdaq, pode fechar a aquisição do Mercado Bitcoin em busca de se tornar a maior na América Latina. A mexicana Bitso acaba de contratar um executivo para responder pelas operações no Brasil.

Interesse crescente

O interesse dos brasileiros pelos ativos cripto pode ser facilmente verificado na B3. Um ano após o lançamento do primeiro desses fundos, a B3 já tem mais investidores operando os ETFs de criptoativos do que em ETFs tradicionais. Dados recentes mostram que os nove ETFs de cripto da B3 já atraíram 194 mil investidores, envolvendo um total de R$ 2,9 bilhões.

Assim como fez na Europa, onde opera por meio de uma joint venture com o banco Standard Chartered, a OSL não descarta um ingresso no País junto a uma instituição local. Além da mesa de negociação, a OSL tem serviços de custódia de criptoativos e uma plataforma white label, para clientes institucionais operarem com sua própria marca. Na Argentina, por exemplo, já vendeu esse serviço para a Allaria, subsidiária da Allaria Inversiones Globales com sede no Uruguai.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 19/04/22, às 16h41.

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