Gol e Smiles têm relação marcada por conflito de interesse

Gol e Smiles têm relação marcada por conflito de interesse

Fernanda Guimarães e Cristian Favaro

30 de julho de 2020 | 05h00

 

O anúncio de que a Smiles fechou acordo com a Gol para a compra antecipada de R$ 1,2 bilhão em passagens aéreas mostra um histórico de conflito de interesse entre as duas companhias. Uma solução seria passar a operação pelo crivo de seus acionistas minoritários, o que ocorrerá se de fato a transação for benéfica para a empresa, destacou hoje a Amec, associação que reúne cerca de 60 investidores institucionais, locais e estrangeiros, com investimentos de R$ 700 bilhões na Bolsa brasileira. O grupo esteve debruçado, ao longo das últimas semanas, sobre o tema e soltou hoje uma comunicado a seus associados.

É e não é. Na carta, a Amec cita que a leitura do fato relevante divulgado pela Gol dava a entender que se tratava de uma operação com fortes características de crédito, praticada à taxa de 3,5% ao ano, ao passo que o custo de captação da Gol e de outras empresas com o mesmo perfil de risco, “certamente levariam a taxas avaliadas muito acima dos dois dígitos”.

Obscuro. A entidade afirmou que não houve ao longo de toda a divulgação da operação detalhes e informações para uma análise mais aprofundada de uma movimentação financeira tão expressiva, “e da consequente privação do recebimento pelos acionistas de parte dos dividendos”.

Aval. Assim, dado todo o histórico de conflito entre os acionistas, a Amec afirma que a melhor solução seria passar tal operação pelo crivo de seus minoritários.

Vai ter. Minoritários da companhia se organizaram e já pediram à Smiles convocação de assembleia para tratar de “eventual propositura de ação de responsabilidade civil dos membros da Diretoria da Companhia que celebraram os Contratos”.  A assembleia foi convocada para o dia 20 de agosto. O Conselho da Smiles recomendou aos acionistas o voto contrário a esse pleito e disse que os “contratos atenderam todos os requisitos legais e estatutários para sua celebração”.

Opa!. O presidente da Smiles, Andre Fehlauer, disse que o acordo traz descontos importantes sobre a tarifa padrão e é fundamental para tornar a Smiles mais competitiva.

Satisfeito. Questionado sobre o interesse de fazer novas antecipações, Fehlauer disse que não há nada no radar e que a Gol sinalizou não ter mais demanda. “Não temos perspectiva de fazer novas transações. Se a gente entender no futuro que têm oportunidades, a gente vai voltar a discutir”.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 29/07/2020 às 17:18:18.

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