Governo quer usar Emgea, incluída no PPI, para desovar imóveis da União

Governo quer usar Emgea, incluída no PPI, para desovar imóveis da União

Coluna do Broadcast

11 de outubro de 2019 | 04h00

O governo de Jair Bolsonaro considera utilizar sua gestora de recuperação créditos, a Emgea, como um conduíte para desovar os imóveis da União no mercado privado. A empresa, incluída na lista do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) sob o comando do secretário Salim Mattar (foto), já tem autorização para exercer tal atividade e poderia simplificar o processo sob o ponto de vista dos órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU). A União conta com um patrimônio de cerca de R$ 1 trilhão em um total de 750 mil imóveis sob gestão da Secretaria de Patrimônio da União (SPU). A transferência desses ativos para a Emgea turbinaria e muito seu balanço. A empresa soma pouco mais de 3 mil imóveis em sua carteira, avaliados em torno de R$ 660 milhões.

Em paralelo… O Governo mantém conversas com players do mercado de gestoras de empréstimos vencidos, conhecido como ‘créditos podres’, no intuito de vender a Emgea. Como o apetite do setor está centrado nos imóveis e nas carteiras, de mais de R$ 40 bilhões em operações com empresas e mais de R$ 22 bilhões com pessoas físicas, a tendência é a de que seus ativos e não a Emgea em si seja vendida.

Bad bank. Tida como o “bad bank” da Caixa, a empresa foi usada para limpar os créditos que deram problema no banco público. O processo foi barrado pelo TCU em meados de 2016 após problemas identificados no repasse das carteiras junto à Emgea. Recentemente, o órgão liberou a Caixa a voltar a ceder carteiras.

Com a palavra. Procurada, a Emgea não comentou. O Ministério da Economia informou que “a Emgea foi incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND) e que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está trabalhando na elaboração de estudos de avaliação de cenários e estratégias de desestatização”.

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