Governo tentou barrar ida de Wilson Ferreira Jr. para a BR Distribuidora

Governo tentou barrar ida de Wilson Ferreira Jr. para a BR Distribuidora

Anne Warth

04 de julho de 2021 | 05h01

Petrobrás saiu do capital da BR Distribuidora na última semana  Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Consolidada como uma corporation na última semana, a BR Distribuidora sofreu pressão do governo para barrar a indicação de Wilson Ferreira Júnior para a presidência da companhia. O governo não gostou da forma como o executivo deixou a Eletrobrás. Ao renunciar, em janeiro, após quase cinco anos à frente da estatal de energia, Ferreira Júnior alegou motivos pessoais, mas disse que a privatização não seria aprovada enquanto o presidente Jair Bolsonaro não se envolvesse diretamente na aprovação da proposta.

Menos de um mês depois, o governo enviou uma Medida Provisória para capitalizar a companhia. Bolsonaro foi pessoalmente e a pé entregar o texto ao Congresso. A MP foi aprovada no fim de junho, repleta de “jabutis” – emendas estranhas à proposta original – que vão aumentar o custo da energia para consumidores e indústria, mas fundamentais para a conquista dos votos dos deputados e senadores.

Interferência ‘pegaria mal’ no mercado

A BR Distribuidora formalizou a indicação de Wilson Ferreira Júnior como CEO da empresa em fevereiro, e ele tomou posse em 19 de março. Nesse período, o governo trabalhou para tentar evitar sua indicação, acreditando que a participação da Petrobrás e de fundos de pensão na companhia seria suficiente para impedir sua nomeação. Emissários do governo foram alertados, no entanto, de que essa participação era minoritária, e que a tentativa de interferência pegaria muito mal no mercado. A Petrobrás detinha poucos assentos no conselho de administração, formado majoritariamente por membros independentes.

À frente da BR Distribuidora, Ferreira Júnior decidiu acelerar os planos que foram concretizados na última semana, que resultaram na saída da Petrobrás do capital da empresa, movimento iniciado ainda em 2017. Não quis correr o risco de ser fritado como Roberto Castello Branco na Petrobrás e André Brandão, no Banco do Brasil, ou cozido em banho-maria, como Paulo Caffarelli na Cielo.

A BR Distribuidora informou que está em período de silêncio e não comentou. Procurada, a Secretaria de Comunicação do governo não respondeu até o fechamento da reportagem.

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