Grandes bancos zeram  tarifas para conter ‘efeito XP’

Grandes bancos zeram tarifas para conter ‘efeito XP’

Coluna do Broadcast

19 Setembro 2018 | 04h00

Os grandes bancos de varejo no Brasil estão reagindo à concorrência das corretoras independentes, no chamado “efeito XP”. Em uma ofensiva para estancar a sangria da migração de recursos para essas instituições, cederam e estão colocando um fim, ainda que temporariamente, em algumas taxas cobradas dos clientes.

Depois de estudar o assunto por alguns meses, o Banco do Brasil deve anunciar em breve que irá zerar a taxa do investimento em Tesouro Direto. Atualmente, conforme informações do próprio site do Tesouro Direto, a instituição cobra 0,50%, acima, inclusive, das taxas de concorrentes diretos, como Santander Brasil e Caixa Econômica Federal, nos quais o custo é de 0,40%. Antes do BB, o Bradesco, em julho, e o Itaú Unibanco, mais recentemente, fizeram movimentos nesta direção.

Minoria. Das 59 instituições financeiras habilitadas para operar com o Tesouro Direto, menos da metade – apenas 24 – não cobram taxa alguma dos clientes que optam por essa opção de investimento. Há pouco mais de um ano, esse grupo contava somente com 15 players. Alguns zeraram suas taxas, mas ainda efetuam cobrança anual. Pesa para os grandes bancos de varejo não só a concorrência com as corretoras independentes, mas também o cenário de juros baixos, que obriga essas instituições a serem mais competitivas para atrair clientes ou, ao menos, não perdê-los.

Previdência. Além do Tesouro Direto, os grandes bancos de varejo no Brasil também estão revendo as taxas cobradas nos planos de previdência privada, cuja captação de recursos tem sido impactada pela redução da taxa básica, a Selic, uma vez que boa parte dos recursos estão alocados na renda fixa e, portanto, rendendo menos. No primeiro semestre, a previdência privada aberta viu sua captação líquida encolher em cerca de 30%, conforme a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi).

Zera tudo. Neste sentido, o BB também deve zerar a taxa de carregamento dos seus planos de previdência privada. Na entrada, o banco já não fazia esse tipo de cobrança. Na saída, a taxa de carregamento também não exista após 37 meses de investimento, a depender do segmento do cliente. Agora, o BB vai zerar a taxa para todo mundo na saída. A empresa do banco que atua no segmento, a Brasilprev, é líder em captação de recursos neste mercado. Bradesco, em dezembro do ano passado, e Itaú e Santander, na sequência, também já retiraram esse custo dos clientes.

Não exagera. Apesar da ofensiva dos grandões do varejo bancário para não perderem clientes, a iniciativa de corte nas taxas não deve alcançar outras frentes como, por exemplo, as cobradas nas contas-correntes. Até mesmo porque ainda não há concorrência que justifique os pesos pesados abrirem mão de uma receita tão importante, principalmente em um momento no qual o crédito ainda não retomou todo o seu vigor. Procurado, o BB não comentou.

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