Grupo Austral, da Vinci Partners, espera dobrar de tamanho em 4 anos e vê IPO mais à frente

Grupo Austral, da Vinci Partners, espera dobrar de tamanho em 4 anos e vê IPO mais à frente

Aline Bronzati

27 de agosto de 2021 | 16h15

Carlos Frederico Ferreira, da Austral Seguradora:  mercado ainda tem ciclo de retomada econômica Foto: Bruno Ryfer

O grupo Austral, controlado pela gestora Vinci Partners, traçou um plano de expansão orgânica e espera dobrar de tamanho nos próximos quatro anos. A ofensiva vem após duas aquisições por meio do seu braço de resseguros e não considera, ao menos no curto prazo, uma ida à bolsa para levantar recursos uma vez que se vê capitalizado para os próximos passos.

Com R$ 4,6 bilhões em ativos totais, a Austral também pode, no meio do caminho, anunciar novas compras. Formada por uma seguradora e uma resseguradora, a holding vira e mexe tem seu nome envolto em negociações de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês). No passado, já negociou com investidores chineses, além de estratégicos dos Estados Unidos e da Europa. Agora, diz que está na ponta compradora.

“A gente olha mais para comprar do que para vender. O momento tanto da seguradora quanto da resseguradora é muito mais crescer. O mercado ainda tem um ciclo de retomada econômica. Poderemos dobrar as duas empresas facilmente”, afirma o presidente da Austral Seguradora, Carlos Frederico Ferreira, em entrevista ao Broadcast.

De acordo com ele, o grupo está capitalizado o suficiente para seguir com a meta traçada, sem aportes externos. Sobre a possibilidade de uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), aventada no passado, o executivo afirma que o tema cabe aos acionistas. “É uma agenda do investidor… Não deixa de olhar, mas não é coisa para agora”, diz.

O grupo Austral foi fundado em 2010 pelos sócios da Vinci, dentre eles, o ex-banqueiro Gilberto Sayão. A gestora controla a holding, com 70% do negócio, e tem ainda o braço financeiro do Banco Mundial, o International Finance Corporation (IFC), com 20%, e a Genial Investimentos (antiga Brasil Plural), com fatia de 10%, como sócios minoritários.

Em pouco mais de uma década de história, a Austral fez duas aquisições, sendo ambas por meio de sua resseguradora. Em 2019, concluiu uma fusão com a também brasileira Terra Brasis, quando o então Brasil Plural, fundado por Rodolfo Riechert, passou a deter uma fatia na holding. Em maio deste ano, anunciou a compra da operação de resseguros da americana Markel no Brasil.

Já a seguradora foi constituída do zero e segue assim desde então. O CEO da companhia diz que os olhares estão sempre atentos, mas que não há nada iminente. Focada nas grandes empresas, a Austral Seguradora galgou, aos poucos, espaço entre os pesos pesados do setor. Alçou a liderança do setor de petróleo na América Latina e conseguiu quebrar o oligopólio do maior contrato de seguros do setor, o da Petrobras. “Estamos muito bem posicionados”, afirma Ferreira.

Seguro garantia

O carro-chefe da Austral sempre foi – e continua sendo – o seguro garantia. O segmento se divide em dois: voltado a grandes riscos e para disputas judiciais. Com o Brasil em compasso de espera pela volta das obras de infraestrutura desde a eclosão da Lava Jato, somente o segundo decolou. O número de concorrentes também se multiplicou. A Austral disputa esse mercado com mais de 30 grupos contra dez no passado, lembra seu presidente.

“A parte de seguro garantia para o setor de infraestrutura ainda não andou. Começa uma agenda agora. As eleições são positivas porque há muita entrega de obra em ano pré-eleitoral, mas precisamos de continuidade”, cobra Ferreira.

Depois de complementar seu portfólio com uma gama de soluções financeiras como seguros que protegem o patrimônio dos executivos, o chamado D&O, no jargão de mercado, a Austral mira, agora, empresas de médio porte, com faturamento anual abaixo dos R$ 50 milhões. Até então, esse era o patamar mínimo para ser cliente do grupo. Com o empurrão digital da pandemia, afirma o CEO da seguradora, ficou mais fácil acessar esse público. Como a demanda é por soluções mais padronizadas, a ideia é fazer uma oferta digital de apólices de seguros empresariais.

O ano de 2021 está sendo “bom” para a seguradora da Austral, diz Ferreira, a despeito das turbulências políticas e econômicas no País. Até junho, a companhia emitiu R$ 880 milhões em prêmios de seguros, caminhando tranquilamente para superar o volume de cerca de R$ 1 bilhão alcançado em 2020. Se será possível já dobrar o faturamento neste ano, Ferreira mantém a cautela. “Não. Vamos crescer e manter nosso tamanho de negócio”, conclui.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 23/08/21 às 09h00.

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