Grupo Equatorial estreia em saneamento com desafio no Amapá

Grupo Equatorial estreia em saneamento com desafio no Amapá

Juliana Estigarríbia

08 de setembro de 2021 | 16h25

Distribuição de água em Macapá (AP), após apagão; Equatorial já investe em energia no Estado Foto: Dida Sampaio/Estadão

O grupo Equatorial, conhecido por sua atuação em energia, marcou sua estreia no saneamento na última quinta-feira  (2) ao arrematar a concessão de serviços de água e esgoto do Amapá por R$ 930 milhões, com um ágio de 1.760%. Além dos desafios inerentes a qualquer início de atividade, a companhia terá de entregar melhorias em municípios com indicadores muito ruins, com perdas de água que chegam a 70%.

O modelo do leilão, que teve seis propostas com ágios expressivos, combinou maior desconto de tarifa (limitado a 20%) e maior valor de outorga, com lance mínimo de R$ 50 milhões. Trata-se do primeiro leilão de saneamento do País envolvendo todos os municípios de um estado.

A Equatorial arrematou o certame após quatro tentativas no setor, incluindo a Cedae (RJ). Segundo o presidente do grupo, Augusto Miranda, a outorga e os investimentos complementares somam cerca de R$ 4,7 bilhões no leilão do Amapá. Recentemente, a companhia também arrematou a distribuidora de energia do estado. “O fato de já estarmos no Amapá vai nos ajudar a capturar algumas sinergias”, disse o executivo a jornalistas.

No entanto, os desafios para concretizar uma atividade tão complexa quanto saneamento, em regiões muitas vezes remotas, são um ponto de atenção. “O que mais preocupa nessa aquisição é a questão operacional, como a empresa vai operacionalizar essa nova responsabilidade”, avaliou o estrategista da Sarainvest, Marco Saravalle.

Em relatório, a Ativa Investimentos destaca que os desafios da Equatorial vão desde diminuir as perdas dos níveis atuais, próximos a 70%, para 30%; reduzir a inadimplência de patamar superior a 40% para 10%; e ampliar o alcance do atendimento de água de 38% para 99% ao longo da próxima década, bem como o alcance de 90% de atendimento em esgoto, hoje em 7%.

Disputa

Saravalle observou que o grupo tem histórico de assumir projetos desafiadores. Ele cita o leilão de privatização da companhia estadual de distribuição de energia do Rio Grande do Sul, a CEEE-D, e da distribuidora de energia do Amapá (CEA). “A Equatorial está disposta a assumir esse tipo de risco, está no escopo de investimentos deles.”

Do lado financeiro,  Augusto Miranda afirma que a companhia tem fôlego para assumir a empreitada. Nesse leilão, a Equatorial desbancou nomes de peso do saneamento, como a Aegea, que ofereceu uma outorga de R$ 384 milhões. “A empresa está bem capitalizada, tem crédito no mercado”, diz o CEO da Equatorial.

Segundo Saravalle, o nível de endividamento companhia está em patamar confortável, principalmente em relação a seus pares. “Não foi uma aquisição cara e a alavancagem da companhia está em um bom patamar.”

O relatório da Ativa destaca, porém, que além da outorga, a companhia terá que desembolsar um pagamento Eo estado do Amapá logo no começo do contrato, o que fará com que seus investimentos iniciais alcancem R$ 1,81 bilhão. “Ainda que consideremos uma eficiência de 10% perante custos, despesas administrativas, inadimplência e perdas apresentados no edital, a Equatorial conquistaria uma taxa implícita de retorno real de 4,1%, o que consideramos baixa.”

O CEO do grupo demonstrou tranquilidade quanto ao fôlego de caixa. “Podemos emitir debêntures, empréstimo-ponte, vamos decidir sobre isso ainda, mas estamos capitalizados e temos acesso ao mercado.”

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 02/09/2021 às 20h06.

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