Grupo Pão de Açúcar busca nova fórmula para Extra e entra em concorrentes do James

Grupo Pão de Açúcar busca nova fórmula para Extra e entra em concorrentes do James

Talita Nascimento

25 de fevereiro de 2021 | 17h02

Extra GPA Atacado Atacarejo

Interior da loja do Hipermercado Extra, localizado na Avenida Itaquera, com preços dos mesmos produtos no atacado e no varejo / Crédito: Talita Nascimento / Agência Estado

“Os hipermercados estão sob ataque há mais de uma década”. É dessa maneira que o presidente executivo do GPA, Jorge Faiçal, fala ao Estadão/Broadcast sobre a decisão de tentar encontrar um novo modelo para o Extra, uma de suas bandeiras. O grupo está em processo de implementação de uma nova política de preços para a marca, na tentativa de melhorar a rentabilidade desse modelo.

Como detalhado em primeira mão pela Coluna do Broadcast nesta semana, o grupo tenta um meio termo entre as operações de atacarejo e o modelo tradicional de hipermercado. “A gente não quer ser atacadista. Queremos a pessoa física que passa a consumir no atacarejo. A intenção é que ela não largue o Extra porque ele oferece preços iguais ou próximos dos atacarejos”, explica.

Lojas Extra serão reformuladas

O modelo, atualmente implementado em 23 lojas deve chegar às demais 80 até junho. “Vamos pintar as lojas por dentro e por fora, mudar o layout. O principal ‘claimer’ (chamariz) é o segundo preço (valor mais baixo disponibilizado para quem compra em maior quantidade)”, afirma. “Vamos retomar também a campanha com slogan ‘mais barato, mais barato’, que tem um grande recall (memória dos consumidores). ” A proposta mais agressiva ainda divide as lojas em diferentes grupos: quanto maior a concorrência de atacarejos ao redor, mais o preço baixa. Em alguns pontos, chega, inclusive, a igualar o valor cobrado em atacados mais próximos.

Essa, porém, é apenas uma das mudanças propostas pelo GPA, agora que a companhia se separa do Assaí e tem de provar seu valor aos investidores, sem os números expressivos de crescimento da operação pura de atacarejo. Em 2020, o grupo percebeu o risco de perder participação de mercado, caso permanecesse com sua operação de e-commerce exclusiva no aplicativo de entregas próprio, o James. Assim, Faiçal anunciou que a companhia fez sua primeira venda no aplicativo Rappi.

Jorge Faiçal, presidente do GPA: “Queremos o cliente do atacarejo”

“Estamos em negociação com quase todas empresas ‘last mile’ (que fazem a última etapa da entrega: da loja ao consumidor final) ou marketplaces (shopping virtual)“, afirma. Questionado se o movimento acontece de maneira tardia, já que ele havia admitido que a bandeira Pão de Açúcar perdeu mercado com a expansão dessas plataformas, ele diz não ver assim.

“Eu não diria que estamos atrasados. Tínhamos estratégia que não consideramos errada até o início de 2020. Havia crescimento, ano após ano, de 30% a 40% antes da pandemia. Em março e abril, vimos que poderíamos perder participação de mercado, mas tínhamos dúvidas a respeito se esse hábito de compra ter vindo para ficar. No segundo semestre, vimos que quem se habituou, vai se manter na internet”, diz. Nesse momento, a mudança de estratégia ficou inevitável: “Aí tínhamos de mudar nosso plano para a estratégia aberta. Ficar na estratégia fechada significaria muita perda futura de mercado”, afirmou.

Ele diz ainda que a entrada em outras plataformas não deve reduzir a rentabilidade do e-commerce do grupo. “As taxas são menores para a operação de supermercados e frescos. Além disso, tem a negociação, que reduz mais esse valor por sermos o GPA, com muitas lojas físicas”, diz. A venda online de alimentos do GPA teve alta de 198% no quarto trimestre de 2020, comparado ao mesmo período de 2019. Ela representou 5% da venda alimentar do varejo e 12% na bandeira Pão de Açúcar.

James também será oferecido a outros varejistas

O grupo ainda pretende abrir o aplicativo James para outros supermercadistas e investir em sua nova plataforma de marketplaces, avançando em um primeiro momento para dez categorias específicas: mercearia, perecíveis, cervejas, vinhos, auto, produtos para bebês, pet care, casa, limpeza e cuidados pessoais.

Ainda assim, há desafios. Faiçal afirmou na teleconferência com investidores que a bandeira Pão de Açúcar também perdeu participação de mercado em razão da queda de renda de uma parte da população, que migrou tanto para a bandeira Extra, quanto para a concorrência. Além disso, o grupo ainda pode fechar de 5 a 6 lojas do modelo de hipermercado em razão de problemas de rentabilidade.

Para a próxima segunda-feira, quando o Assaí passa a ser negociado em um papel independente da companhia, Faiçal se diz otimista: “Esperamos que a soma das duas listagens seja maior que o valor atual”, afirma.

O GPA registrou lucro líquido aos acionistas controladores de R$ 1,598 bilhão no quarto trimestre de 2020, alta de 1.604% ante o mesmo período de 2019. Segundo a companhia, “houve o reconhecimento de elementos excepcionais que impactaram o lucro líquido do GPA Brasil e GPA Consolidado em R$ 941 milhões”. O Ebitda, por sua vez, ficou em R$ 2,2 bilhões, alta de 334% na comparação com o registrado um ano antes. O Ebitda ajustado ficou em R$ 2,1 bilhões, alta de 210%.

Em geral, as casas de análise consideraram o resultado sólido, além de apontarem o papel como boa aposta de curto prazo, com a cisão dos papéis do Assaí próxima a se concretizar.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 24/02/2021, às 14:40:41 .

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse http://www.broadcast.com.br/produtos/broadcastplus/

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Siga a @colunadobroad no Twitter

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.