Highline compra Phoenix Tower por cerca de R$ 2,5 bi e mira novas aquisições

Highline compra Phoenix Tower por cerca de R$ 2,5 bi e mira novas aquisições

Circe Bonatelli

25 de novembro de 2020 | 04h59

Antenas de telefonia e dados móveis vão ganhar mais importância com chegada do 5G. Crédito da foto: Estadão

 

A Highline do Brasil, provedora de infraestrutura de telecomunicações do fundo norte-americano Digital Colony, fechou nesta terça-feira, 24, a compra da Phoenix Tower, empresa do setor pertencente a fundos geridos pela Blackstone.

Com a transação, a Highline adquire 2.500 torres de transmissão de telefonia e dados, ampliando seu portfólio para 3.200 unidades. O valor do negócio não foi revelado pelas partes, mas no mercado, comenta-se que gira em torno de R$ 2,5 bilhões.

A Highline passa a ocupar agora a quarta posição no mercado brasileiro de torres, atrás somente da American Tower (19.000), da SBA (8.500) e da Torresur (6.500). Mas não pretende parar aí.

“Buscamos ser líderes em tudo o que fazemos. É um longo caminho pela frente. Não vamos atingir isso amanhã, claro, mas estamos trabalhando para isso”, afirma o CEO da Highline, Fernando Viotti, em entrevista exclusiva.

O executivo antecipou que há mais três negociações para aquisições de torres no curto prazo. Duas são privadas e ainda não podem ser reveladas. A terceira é uma oferta vinculante feita pelas torres da Oi, que serão negociadas por meio de leilão judicial na quinta-feira, 26. O negócio abrange 882 unidades e teve lance de R$ 1,1 bilhão.

Quando se fala em torres, a conversa abrange desde as famosas torres altas de metal espalhadas por cidades e estradas até antenas em topos de prédios e dispositivos em ambientes fechados, como prédios comerciais, shoppings, hospitais e estádios. Esse tipo de infraestrutura é vital para as operadoras na oferta da telefonia e dados móveis, um mercado que vai crescer ainda mais com a chegada do 5G.

Antigamente, as operadoras (Vivo, Claro, TIM e Oi) tinham suas próprias torres. Com o passar dos anos, entretanto, elas decidiram concentrar seus investimentos nos serviços e optaram por vender a parte de infraestrutura para as chamadas ‘torreiras’, que podem compartilhar as antenas entre mais de uma operadora – dando mais eficiência ao mercado.

“Nosso objetivo é apoiar as operadoras, não competir com elas. A estratégia é de trabalhar no mercado de infraestrutura compartilhada. Não temos intenção de entrar no varejo e atender o cliente final”, explica o diretor de estratégia da Highline, Luis Minoru Shibata.

Da torre para a fibra

Após a consolidação como operadora de torres, a Highline partirá para o ramo de fibra ótica, em que atuará como uma provedora de rede neutra para operadoras que prestam serviço de banda larga.

“Primeiro, o foco foi consolidar a empresa de torres, o que coroamos hoje com a aquisição da Phoenix Tower. Agora passaremos a dar mais foco para as outras linhas de produtos”, conta Viotti.

A empresa ainda não possui redes de fibra. A participação neste segmento ocorrerá por meio de aquisições de outras empresas locais e pelo desenvolvimento de contratos sob medida (built to suit). Neste modelo, as redes de fibra serão desenvolvidas pela própria companhia com um traçado encomendado por uma operadora.

Conforme revelou a Coluna do Broadcast em outubro, a Highline se prepara para colocar na mesa uma proposta formal pelas redes de fibra ótica da Oi. Ela já participou da rodada inicial de ofertas não vinculantes pelo ativo, que reuniu aproximadamente dez interessados, e está calculando quanto vai oferecer no leilão, previsto para ocorrer no início de 2021.

Para a compra da Phoenix Tower, os recursos vieram da sua controladora, a Digital Colony, um peso-pesado com mais de US$ 20 bilhões em investimentos globais em infraestrutura digital e que está decidido a ocupar o mercado brasileiro. Aliás, a própria Highline foi comprada pela Digital Colony do grupo Pátria Investimentos.

“A Digital Colony nos trouxe um espírito empreendedor e maior capacidade de investimento”, ressalta Viotti. “Estamos nos propondo a acelerar o crescimento e jogar em outra liga”. Fundada em 2012, a Highline acaba de completar oito anos de existência.

 

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 24/11/2020 às 16:27

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