Ida de Alibaba a Hong Kong joga luz sobre futuro da XP na bolsa local

Ida de Alibaba a Hong Kong joga luz sobre futuro da XP na bolsa local

Coluna do Broadcast

22 de novembro de 2019 | 04h00

Por Fernanda Guimarães

Cinco anos após a maior oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da história, em Nova York, o grupo chinês de e-commerce Alibaba retornará às origens e listará suas ações também em Hong Kong, em uma oferta que poderá movimentar até US$ 12,9 bilhões. Apesar dessa oferta de ação ocorrer do outro lado do mundo, ela joga luz para um caso no Brasil: o IPO da XP Investimentos, no qual a B3 foi deixada de lado, e será realizada na bolsa eletrônica Nasdaq, que concentra muitas empresas do setor de tecnologia de todo o mundo. A escolha da XP já foi feita e a oferta ocorrerá em dezembro. No entanto, agora a expectativa é se – ou quando – os investidores brasileiros – e os próprios clientes da XP – terão acesso aos papéis da corretora no mercado local.

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No papel. Em Hong Kong, a perda do IPO histórico da gigante chinesa do e-commerce Alibaba em 2014, de US$ 25 bilhões, para Nova York, colocou as regras de listagem na bolsa local sob escrutínio do mercado – e do regulador. Isso porque, uma das razões para o gigante asiático ter escolhido a Nyse foi o fato da bolsa norte-americana permitir o chamado voto plural, também conhecido como ações “super ordinárias”, que têm uma diferença no número de votos em relação às estruturas tradicionais, ou seja, seus detentores têm direito a mais votos do que uma ação comum. Essa estrutura foi desenhada pelo Alibaba na abertura de capital e neste ano Hong Kong liberou esse modelo: e atraiu, assim, o Alibaba. A XP já apontou em seu prospecto do IPO que os detentores das ações da “classe B” terão 10 vezes mais votos do que os que tiverem as ações “classe A”. A legislação brasileira, contudo, não permite essa estrutura.

À espera. Por aqui, outra mudança deve ocorrer primeiro, para permitir que empresas brasileiras, listadas fora do País, possam ter BDRs (Brazilian Depositary Receipts) listadas na B3, algo vetado atualmente. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já está debruçada sobre esse assunto. Com essa mudança, a XP poderia emitir esses papéis (os BDRs), que representariam suas ações listadas lá fora, para serem negociadas aqui, com acesso ao investidor local. Já a possibilidade de permitir o voto plural, estrutura que vem sendo utilizada por todas as ofertas de empresas do setor de tecnologia, é uma questão ainda em fase mais preliminar, mas já discutida dentro da CVM. Se essa possibilidade for aberta, a empresa de Guilherme Benchimol poderá, assim, seguir os passos do Alibaba e fazer uma oferta subsequente (follow on) listando suas ações também no Brasil, tendo, assim, “dupla listagem”. Procurada, a XP não comentou.

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