Investidor trava braço de ferro com governo para baixar preço da Eletrobras

Investidor trava braço de ferro com governo para baixar preço da Eletrobras

Cynthia Decloedt

29 de maio de 2022 | 05h30

Oferta da Eletrobras pode alcançar R$ 35,3 bilhões  Foto: Marcos Arcoverde /AE

Bancos e grandes investidores têm sinalizado que pretendem conseguir descontos que vão de 5% a acima de 10% no valor das ações da Eletrobras, em relação ao preço de R$ 44 buscado pelo governo no processo de privatização. A oferta da Eletrobras pode alcançar R$ 35,3 bilhões se todos os lotes de papéis forem vendidos pelo valor máximo. Os grandes investidores buscavam preço de R$ 38 e R$ 40, o que implica desconto de 13% e 10%, respectivamente. Porém, como em processos de privatização as margens de negociação são estreitas, já que a União teria dificuldade de justificar um corte de preço muito grande, as conversas migram para reduções entre 5% e 2%, com uma margem de preço entre R$ 41,80 e R$ 43.

Mesmo que a oferta acontecesse a R$ 38, o governo levantaria os R$ 30 bilhões que o mercado vem anunciando desde a semana passada, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) deu o aval à privatização.

Mas, segundo uma fonte com conhecimento do assunto, o governo não aceitaria ofertas abaixo de R$ 40. De toda a forma, são números superiores ao valor de pouco mais de R$ 31 por ação para atender ao exigido nos documentos que aprovaram a privatização, que buscavam uma captação mínima de R$ 22 bilhões, líquidos de despesas.

Pessoa física terá preferência em relação a investidor institucional

A estratégia de distribuição dos papéis montada por bancos de investimento tem recebido elogios e é vista como capaz de assegurar demanda e preço. Cerca de um terço da oferta poderá ser subscrita pelos atuais acionistas, funcionários e aposentados, investidores e fundos de varejo, que terão acesso às ações da elétrica com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Esse grupo tem preferência de subscrição frente aos institucionais.

Se a fatia a ser distribuída entre os grandes investidores for de R$ 20 bilhões (ou US$ 4 bilhões), a elétrica não deve, portanto, ter problemas em encontrar interessados. Os âncoras devem assinar cheques ao redor de R$ 1,5 bilhão, o equivalente a cerca de US$ 300 milhões, muito abaixo dos investimentos que normalmente fazem, ao redor de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão. Portanto, uma alocação somente entre estrangeiros, se fosse o caso, seria possível.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 27/05/22, às 18h43

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