IPO do Nubank pode virar referencial para onda de ‘neobanks’ em Wall Street

IPO do Nubank pode virar referencial para onda de ‘neobanks’ em Wall Street

Altamiro Silva Júnior e Cristiane Barbieri

27 de outubro de 2021 | 05h15

Expectativa é que banco digital seja avaliado entre US$ 50 bilhões e US$ 70 bilhões  Foto: JF Diorio/Estadão

O ano de 2022 pode ser marcado por uma onda de aberturas de capital de bancos digitais, ou ‘neobanks’, em Wall Street. São instituições provenientes de várias partes do mundo, que têm em comum a forte pegada tecnológica e potencial de crescimento. Com isso, a oferta de ações do Nubank, prevista para acontecer mês que vem, ganha ainda mais importância: deve se transformar em referencial de preço e múltiplos para as novas operações.

As duas ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) mais esperadas pelos investidores internacionais são a do Chime, de São Francisco, que oferece contas sem tarifas via aplicativo, e do inglês Revolut. Com menos clientes que o banco brasileiro, as duas fintechs já têm valor de mercado próximo ou até maior que o do Nubank, avaliado em US$ 30 bilhões em junho, quando recebeu aporte do megaivestidor Warren Buffett.

Por isso, é grande a expectativa sobre o valor de mercado a ser alcançado pelo Nubank, num período em que, conforme gestores em Nova York, os múltiplos têm mudado rapidamente. Inicialmente se ventilou que o Nubank alcançaria os US$ 100 bilhões, mas o valor deve ficar entre US$ 50 bilhões e US$ 70 bilhões.

Se chegar ao topo dessa faixa, vai valer mais que os dois maiores bancos privados da América Latina – Itaú e Bradesco -, juntos. No Brasil, há executivo de alto escalão que vê com ceticismo esse ‘valuation’, por mais que o Nubank consolide os negócios nos países onde trabalha para avançar.

“Efeito tech”

Seria uma mera projeção do “efeito tech” na Bolsa, também visto nas outras ofertas. O Chime, por exemplo, está longe do valor dos gigantes bancos americanos, mas superou as instituições regionais da Califórnia, todos com lucros em seus balanços.

O Chime pretende fazer o IPO em março, buscando valer entre US$ 35 bilhões e US$ 45 bilhões. Como o Nubank, a fintech de São Francisco, criada em 2013, só deu lucro recentemente. Tem 13 milhões de clientes. Em uma rodada de captação há apenas dois meses, foi avaliado em US$ 25 bilhões.

A inglesa Revolut tem 15,5 milhões de clientes, contra 41 milhões do Nubank, mas seu crescimento e internacionalização têm sido rápidos. Assim, na rodada de captação em julho, que atraiu nomes como o asiático SoftBank e o fundo americano Tiger Global, foi avaliada em US$ 33 bilhões. Superou o Nubank e ficou seis vezes acima do que valia em meados de 2020.

A fintech americana Stripe, processadora de pagamentos, foi a única até agora a conseguir ser avaliada perto de US$ 100 bilhões, em rodada privada de captação. Ela opera, porém, num negócio diferente dos neobanks: cuida de pagamentos do comércio eletrônico, que explodiram com a pandemia e têm mantido o fôlego. Por isso, não é o melhor referencial para os novos IPOs. O Nubank não comenta sobre sua oferta.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast Investimentos no dia 26/10/21, às 16h19.

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