IPOs de pequenas empresas entram no radar e aguçam bancos médios

IPOs de pequenas empresas entram no radar e aguçam bancos médios

Coluna do Broadcast

06 de novembro de 2019 | 04h00

Por Fernanda Guimarães

De um lado, juros no menor patamar da história – com investidores muito interessados em buscar rentabilidade maior em renda variável. Do outro, empresas médias com vontade de crescer e vendo recursos disponíveis com maior facilidade, sobretudo no mercado de capitais. Com a soma da fome com a vontade de comer, pela primeira vez, agentes de mercado estão se movimentando para criar uma alternativa que una as duas pontas e facilite o acesso dessas companhias à Bolsa. Além da expectativa de entrada de novos competidores possam entrar no papel de estruturadores da operação de ida à Bolsa, outra possibilidade é a desintermediação para as ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) abaixo de R$ 400 milhões. Entre as saídas, está o crowdfunding, que é o investimento coletivo já regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o regulador do mercado de capitais.

Além da expectativa de entrada de novos competidores possam entrar no papel de estruturadores da operação de ida à Bolsa, outra possibilidade é a desintermediação para as ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) abaixo de R$ 400 milhões. Entre as saídas, está o crowdfunding, que é o investimento coletivo já regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o regulador do mercado de capitais.

As empresas menores não conseguem chegar à Bolsa porque, entre outros motivos, os bancos de investimento têm pouco interesse nas operações pequenas. No entanto, com juros na mínima histórica de 5%, esse mercado poderá ser ocupado por novos concorrentes, como os bancos médios. O banco ABC Brasil se antecipou à tendência e lançou uma plataforma para atrair empresas com faturamento anual a partir de R$ 250 milhões que buscam fazer um IPO.

Outros bancos médios podem seguir o mesmo caminho, apurou o Broadcast. A ideia é que essas instituições financeiras trabalhem em conjunto com casas de análise independentes, o que ajudará na seleção das companhias que têm perfil – e com boas histórias para contar – a abrirem capital.

Histórica. A atração de empresas de menor porte é uma briga antiga da bolsa brasileira, que já tentou destravar esse acesso no passado, mas nunca obteve sucesso. Nesse sentido, foi criado há 15 anos o Bovespa Mais, que tem uma estrutura mais simples para receber essas companhias. O modelo foi inspirado na experiência na bolsa de Londres, a London Stock Exchange, um dos maiores mercados para companhias de menor porte. A tentativa, no entanto, não decolou.

No mercado, a percepção é de que os planos podem decolar quando houver mais histórias de sucesso na própria Bolsa, que permitam atrair mais interessadas. Uma delas é a Sinqia, ex-Senior Solution, que abriu seu capital no Bovespa Mais e, anos depois, migrou ao Novo Mercado na B3, segmento mais nobre. Prova do sucesso aconteceu ainda este ano, quando a companhia voltou ao mercado e captou mais R$ 364 milhões em uma oferta subsequente (follow on), atraindo forte demanda dos investidores. Além disso, diz uma fonte, é preciso haver um ecossistema de mercado preparado para a chegada dessas companhias, como fundos de investimento, de private equity, family offices e, por fim, as pessoas físicas.

Tá quente. Agora, diante de um mercado de capitais bastante aquecido, com investidores migrando seu portfólio de investimentos – indo da renda fixa para ativos de maior risco -, o momento parece mais do que propício. Um gestor, que falou na condição de anonimato, afirma que será preciso incorporar nos fundos novos papéis na busca de maior rentabilidade. Por esse espectro, é possível imaginar o potencial para as ofertas iniciais menores.

Uma porta alternativa para as ofertas menores, diz outra fonte, seria buscar uma opção próxima ao crowdfunding, que hoje abriga ofertas de até R$ 5 milhões. Os intermediários para esse tipo de captação são plataformas, que conectam as empresas aos investidores. Elas captam até a meta ser alcançada. Não existe, portanto, procedimento de bookbuilding, que é a formação do livro e definição de quais acionistas ficarão com quanto em um IPO.

O crowdfunding no Brasil serviu para quebrar o paradigma de que o mercado é apenas para empresas maiores. Desde que foi regulamentado, em 2016, houve aumento do número de plataformas, de investidores e do tíquete dessas operações. O mercado ainda é pequeno, mas a tendência é de crescimento, diz uma fonte. Com o sucesso – e o potencial de mercado – já é discutido que o valor máximo estipulado para a captação por meio do crowdfunding seja ampliado. Isso ajudaria a diminuir esse “gap” entre os valores – de R$ 5 milhões a R$ 400 milhões – entre o crowdfunding e o IPO. Os R$ 400 milhões são apontados como o valor mínimo para um IPO no Brasil.

Regulador. Além de estar atenta à redução dessa diferença, a CVM colocou em seu plano estratégico formas de estimular captações menores em bolsa. Procurado, o regulador afirma que a “revisão do arcabouço de ofertas públicas está na agenda regulatória da CVM deste ano”. “Entre os temas em discussão, a Autarquia avalia medidas para incentivar a captação por empresas de menor porte, porém, neste momento, não é possível prestar informações adicionais”, informou.

Para permitir a desintermediação para ofertas de menor porte, seria necessária a mudança em duas leis. A 6.404 de 1976, a conhecida Lei das Sociedades Anônimas, e a 6386, do mesmo ano, que trazem a figura da instituição financeira. A segunda lei trata exclusivamente sobre o sistema de distribuição de valores mobiliários e estabelece a função das instituições financeiras nesse sentido.

Nos Estados Unidos, ofertas sem a presença de bancos é um assunto que está fervilhando. Chamadas de “direct listing”, esse modelo de listagem permite que atuais acionistas coloquem suas ações à disposição de investidores sem um IPO tradicional. Por lá, Spotify e Slack seguiram por essa trilha e abriram capital de forma sem intermediação. No entanto, esse modelo de listagem é apontado como possível para empresas já capitalizadas e bastante conhecidas no mercado.

Questão de demanda. Nesta semana o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, disse que com o aumento dos aportes de investidores estrangeiros no Brasil e com os fundos locais mais capitalizados, somado à presença maior das pessoas físicas na Bolsa, poderá haver falta de papel no mercado. Seria aberto, então, espaço para as empresas de menor porte nos portfólio de fundos e family offices. O tíquete médio das ofertas de ações ainda é muito alto, mas as operações de companhias de médio porte vão começar a achar demanda”, disse.

Saída. As empresas menores não conseguem chegar à Bolsa porque, entre outros motivos, os bancos de investimento têm pouco interesse nas operações pequenas. No entanto, com juros na mínima histórica de 5%, esse mercado poderá ser ocupado por novos concorrentes, como os bancos médios. O banco ABC Brasil se antecipou à tendência e lançou, na tarde de hoje, uma plataforma para atrair empresas com faturamento anual a partir de R$ 250 milhões que buscam fazer um IPO.

Nicho. Outros bancos médios podem seguir o mesmo caminho, apurou o Broadcast. A ideia é que essas instituições financeiras trabalhem em conjunto com casas de análise independentes, o que ajudará na seleção das companhias que têm perfil – e com boas histórias para contar – a abrirem capital.

História. A atração de empresas de menor porte é uma briga antiga da bolsa brasileira, que já tentou destravar esse acesso no passado, mas nunca obteve sucesso. Nesse sentido, foi criado há 15 anos o Bovespa Mais, que tem uma estrutura mais simples para receber essas companhias. O modelo foi inspirado na experiência na bolsa de Londres, a London Stock Exchange, um dos maiores mercados para companhias de menor porte. A tentativa, no entanto, não decolou.

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