Itaú e Bradesco devem puxar a fila de emissões de letras garantidas

Itaú e Bradesco devem puxar a fila de emissões de letras garantidas

Aline Bronzati e Fernanda Guimarães

16 de abril de 2020 | 05h00

O Itaú Unibanco e o Bradesco devem puxar a fila de emissões de letras financeiras (LFGs) garantidas por ativos financeiros, novo instrumento de captação que integra o arsenal do Banco Central (BC) para fazer frente ao impacto da crise do novo coronavírus. Com a B3 pronta para fazer o registro tanto das garantias bem como das operações, esse mercado deve ser aberto já na próxima semana, quando inicia a primeira janela para captações. Os bancos podem emitir até uma vez o seu patrimônio de referência. O Bradesco considera captar entre R$ 8 bilhões e R$ 12 bilhões em sua estreia. O BC estima o potencial das letras financeiras garantidas em R$ 670 bilhões. O mercado, contudo, está mais cético e vê algo ao redor da metade desse volume, considerando que as emissões podem ser feitas até o fim do ano.

Questão de preço. No caso dos grandes bancos, pesa, sobretudo, o preço para emitir versus a liquidez que essas instituições precisam. O custo estabelecido pelo BC é de selic mais 0,60% ao ano, patamar que supera o que os pesos pesados pagam para captar recursos. Assim, o repasse aos tomadores fica caro e pode ser inviabilizado.

Alternativa. Apesar disso, os grandes bancos querem abrir esse mercado como uma forma de cumprirem seu papel institucional e reconhecerem o trabalho do BC, que atendeu diversas demandas na estruturação das letras financeiras garantidas. É consenso, porém, que devido ao custo o instrumento deve ser mais utilizado pelos bancos médios, cuja necessidade de funding é maior e já pagam mais para captar.

Nuvem negra. A depender do estrago da crise do coronavírus, as novas letras podem ser mais usadas. Os bancos defendem, ainda assim, que o tema preço seja repensado pelo órgão regulador uma vez que a iniciativa visa a irrigar o sistema para serem repassados à ponta.

 

“É um instrumento que será muito útil no futuro para administrar crises menores. Mas para crise do tamanho que está, o custo precisava ser um pouco mais baixo para injetar a liquidez que o BC imagina na economia”, avalia o executivo de um grande banco, na condição de anonimato. “Nesse patamar, pode ser mais usada pata colocar dinheiro no caixa de bancos médios, que têm mais dificuldade de captar dinheiro”, acrescenta.

Além do custo, os bancos estão levando em conta a necessidade de liquidez que necessitam para bater o martelo quanto às emissões. Algumas dúvidas ainda persistem mesmo com a proximidade da primeira janela de captações como a frequência que os bancos podem emitir, se será apenas uma ou várias de diversos tamanhos.

O novo instrumento de captação estará disponível às instituições financeiras somente até o fim deste ano uma vez que o objetivo é ajudá-las somente durante a crise. As emissões têm ainda de cumprir o vencimento de no mínimo 30 dias e no máximo 359 dias.

Na B3, os bancos registrarão os ativos e os darão em garantia nas emissões. Depois disso, emitirão as letras financeiras, que serão compradas pelo BC. A B3 informou ao mercado que, na esteira da Resolução CMN 4.795, que regulamentou o novo instrumento, as operações de crédito, assim como outras operações com características de concessão de crédito, poderão ser utilizados como garantia para a emissão da letra financeira.

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