Itaú e fundo americano GQG foram maiores âncoras na oferta da Eletrobras

Itaú e fundo americano GQG foram maiores âncoras na oferta da Eletrobras

Cynthia Decloedt

19 de junho de 2022 | 05h00

Fachada do prédio da Eletrobrás no centro do Rio de Janeiro. Foto: Fabio Motta /Estadão

A oferta bilionária para privatização da Eletrobras, na semana passada, teve cinco âncoras. Nesse grupo, o Itau Asset e a gestora americana de fundos hedge (que podem tomar mais risco) GQG ficaram com as maiores alocações, acima de R$ 1 bilhão. As gestoras SPX, Squadra e Zimmer tiveram ordens aceitas em torno de R$ 750 milhões.

Fora do grupo de âncoras, outros grandes investidores foram a gestora americana de hedge Millenium Management e a europeia TT Internacional, que tem estratégia de longo prazo. Ambas também ingressaram na oferta com ordens em torno de R$ 700 milhões.

Esses investidores, ao lado de outra centena, dividiram uma fatia de cerca de R$ 11 bilhões da oferta da Eletrobras, que ao todo somou R$ 34 bilhões.

A oferta chegou a atrair até R$ 70 bilhões de demanda, mas o interesse caiu para R$ 40 bilhões depois que os bancos coordenadores ficaram o preço na casa de R$ 42. A demanda também foi grande entre investidores que usaram o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), num total de R$ 9 bilhões.

Apesar do glamour que se tentou imprimir à oferta, por conta da companhia ser a maior da América Latina, os grandes fundos estrangeiros pularam fora. Falou-se muito do interesse do fundo soberano de Cingapura, o GIC, e do fundo canadense CPP, que de fato colocaram ordens, mas abaixo de R$ 40,00.

Entre os atuais acionistas, chamou também a atenção o não exercício de preferência pelo Banco Clássico, do bilionário José João Abdalla Filho. O Clássico já é dono de uma fatia relevante na Eletrobras, tem assento no conselho e, segundo interlocutores, não precisaria investir muito mais na empresa.

Ao contrário, o 3G exerceu seu direito de preferência e constituiu um fundo para captar recursos de estrangeiros para a oferta. A intenção é garantir liderança na composição dos quadros da companhia e papel relevante na sua nova fase.

Procurado, o Itaú afirmou que não comenta. Os fundos não responderam até a publicação deste texto.

Este texto foi publicado no Broadcast no dia 17/06/22, às 19h10

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