Itaú traz “desafeto” de Bolsonaro para apoiar doação de R$ 1 bi ao combate do Covid-19

Itaú traz “desafeto” de Bolsonaro para apoiar doação de R$ 1 bi ao combate do Covid-19

Fernanda Guimarães, Cynthia Decloedt e Aline Bronzati

14 de abril de 2020 | 04h20

O maior banco da América Latina, Itaú Unibanco, trouxe à transmissão ao vivo em que anunciou a doação de R$ 1 bilhão para combate do novo coronavírus no Brasil, um dos “desafetos” do presidente Jair Bolsonaro no momento, o médico Drauzio Varella. Mais do que anunciar a doação, ele foi escolhido para fazer parte do grupo de sete especialistas que serão responsáveis pelo destino dos recursos, com o objetivo especialmente de apoiar o sistema público de saúde. O time é liderado pelo diretor-geral do Hospital Sírio Libanês, Paulo Chapchap.

Na contramão. A doação bilionária, que mudou o patamar dos anúncios feitos por empresas brasileiras até então, também posiciona o setor corporativo no time contrário à postura de Bolsonaro. De importante destaque na medicina brasileira, Drauzio Varella se tornou um dos alvos de seguidores do presidente. Foi, inclusive, atacado pelo próprio Bolsonaro que se referiu ao especialista como “aquele conhecido médico, daquela conhecida televisão”, durante um de seus pronunciamentos sobre a Covid-19.

Isolado. Bolsonaro, que tem defendido a flexibilização dos isolamento social no Brasil, está crescentemente sendo rebatido no mundo corporativo. Na transmissão ao vivo do Itaú, a recomendação do isolamento foi defendida por todos os especialistas. Paralelamente, executivos de bancos e outras companhias têm elevado o tom ao comentar sobre a importância do distanciamento entre as pessoas, de forma a diminuir o ritmo da propagação do vírus.

Quem entende. Além disso, no embate levantado entre economia versus combate ao vírus, os executivos adotam o discurso dos especialistas sobre a necessidade da quarentena e de que uma retomada dos negócios antes da hora poderá prejudicar ainda mais a já combalida atividade econômica. O grupo criado pelo Itaú Unibanco também fez ressalvas ao uso da cloroquina sem evidências científicas mais concretas de sua segurança no tratamento.

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