Janela para IPOs segue aberta, mas candidatas ficam pelo caminho

Janela para IPOs segue aberta, mas candidatas ficam pelo caminho

Fernanda Guimarães

24 de setembro de 2020 | 10h26

 

A maior volatilidade do mercado com o aumento das preocupações em relação a uma segunda onda do covid-19 e questionamentos sobre a recuperação da economia em todo o mundo começou a deixar algumas candidatas a abertura de capital pelo caminho. No entanto a percepção, até aqui, é que a janela seguirá aberta, porém mais estreita. O banco BR Partners, que precificaria ontem sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), suspendeu sua operação, depois de ter decidido não reduzir o preço. Já a empresa de logística Hidrovias do Brasil, da gestora Pátria, conseguiu demanda no piso de sua faixa indicativa de preço. A Caixa Seguridade, que programava estrear em novembro, também postergou seus planos.”É muita oferta e não há dinheiro novo entrando no mercado”, comenta o gestor de um grande fundo de ações. No ano até aqui, a Bolsa brasileira já foi palco de mais de trinta ofertas de ações, sendo que metade foram ofertas iniciais (IPOs, na sigla em inglês), ano bastante movimentando para as estreias na B3. O volume das emissões, no total, passa de R$ 70 bilhões. Na fila para estrear há ainda mais 50 empresas, aproximadamente, sendo que mais de dez já estão na rua em roadshow. Delas vem sendo observada mais demanda no birô de crédito Boa Vista e o atacarejo Grupo Mateus.

No geral, muitas das últimas ofertas precificadas já registraram muita pressão no preço e apenas saíram depois de um ajuste – para baixo. Dentre elas, três controladas da Cyrela, a Lavvi, Plano & Plano e Cury. A rede de farmácias Pague Menos também seguiu por esse caminho para atrair os investidores. Mesmo a Vitru, controladora da Uniasselvi, que na semana passada estreou na bolsa norte-americana Nasdaq, teve que colocar o preço para baixo. Antes, Riva 9 e You Inc, ambas do setor imobiliário, haviam suspendido suas operações.

Segundo uma fonte, da enorme lista de empresas para abrir capital, aquelas de varejo, energia e tecnologia tendem a agradar mais nesse momento. A fonte observa que o movimento pode ser positivo, já que não haverá uma paralisação de todas as operações que estão na fila e os investidores ganham mais tempo para “digerirem” as operações lançadas.

Diante da seletividade, algumas empresas que já realizaram conversas preliminares com investidores, caso da varejista de moda esportiva Track & Field, farão a oferta depois. Já a Havan, por exemplo, está falando com investidores, ainda com a expectativa de estreia em novembro.

O BR Partners, que suspendeu sua oferta, disse que “avaliará uma janela mais favorável para retomar seu IPO no futuro” e que o cancelamento deveu-se à “forte volatilidade dos mercados nas últimas semanas, o que inviabilizaria uma oferta em condições condizentes com os fundamentos da companhia”.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 23/09/2020 às 18:09:27 .

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