Incorporadora João Fortes aprova plano de recuperação judicial

Incorporadora João Fortes aprova plano de recuperação judicial

Circe Bonatelli

10 de maio de 2022 | 05h20

Incorporadora participou da construção da sede dos Correios em Brasília   Foto: André Dusek/Estadão

Dois anos após entrar em um processo de recuperação judicial com dívida de R$ 1,3 bilhão, a incorporadora carioca João Fortes conseguiu aprovar o plano para reerguer a empresa e pagar as contas em aberto. O aval foi concedido por 73,49% dos credores presentes na votação. O caso é assessorado pela consultoria Alvarez & Marsal e pelo escritório Sergio Bermudes Advogados.

A João Fortes entrou em recuperação em abril de 2020, logo após a eclosão da pandemia no Brasil. A crise sanitária foi a pá de cal para a companhia, que ainda não havia se recuperado da crise dos distratos. A incorporadora teve de devolver aos consumidores R$ 550 milhões devido a cancelamentos de vendas ao longo de dez anos, o que a deixou sem dinheiro para pagar as contas do dia a dia, segundo os seus advogados.

Companhia era uma das maiores do setor na década de 1970

Consumidores que desistiram de comprar imóvel terão direito a receber o pagamento em dinheiro correspondente a no máximo 15% a 50% do valor devido, após carência de dois anos, e parcelamento em seis anos. Se quiserem o valor na íntegra, poderão ficar com ações da empresa. A regra é semelhante para bancos que concederam financiamento à incorporadora.

A João Fortes foi a primeira a abrir capital na bolsa, em 1973. Naquela década, figurou entre as maiores no setor, acompanhando a onda de obras de conjuntos residenciais no governo militar. Já na década seguinte, participou da construção dos edifícios do Banco Central de São Paulo e Minas Gerais, das sedes dos Correios em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, e do Sambódromo do Rio. Em sua história foram entregues cerca de 500 edificações, o equivalente a 10 milhões de metros quadrados.

Grupo acumulou resultados negativos após morte de fundador

Mas o grupo passou a acumular resultados negativos após a morte de seu fundador, o engenheiro João Machado Fortes, em 2002. A partir daí, a gestão da construtora nunca mais foi a mesma. Em 2007, o bilionário Antônio José de Almeida Carneiro (conhecido pelo apelido de Bode) assumiu o controle por meio de uma oferta hostil – quando a compra das ações se dá via oferta pública ao mercado em vez de uma negociação direta com os acionistas no controle. Nos anos seguintes, Bode injetou capital na empresa, mas ela não entrou nos eixos. E vieram as crises.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) chegou a suspender a negociação das ações da João Fortes porque a incorporadora ficou sem prestar conta de seus balanços por mais de um ano, contrariando a legislação. As ações da empresa voltaram a ser negociadas em Bolsa no ano passado. No último pregão, o papel estava cotado em R$ 1,07, o que lhe conferia um valor de mercado de R$ 110,5 milhões, ou cerca de um terço do que valia antes de iniciar a recuperação judicial.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 09/05/22, às 16h55

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.