Lei pavimenta caminho para Banco Digital da Caixa ir à Bolsa

Lei pavimenta caminho para Banco Digital da Caixa ir à Bolsa

Cynthia Decloedt e Fernanda Guimarães

24 de outubro de 2020 | 20h00

Agência da Caixa Econômica Federal. Banco vai ficar mais digital. Crédito da foto: Daniel Teixeira/Estadão

São Paulo, 20/10/2020 – O presidente Jair Bolsonaro sancionou na semana passada lei que torna permanente a poupança social digital, por meio da qual poderão ser pagos todos os benefícios sociais, como bolsa família e previdenciários, municipais e estaduais. Com isso, o presidente dá alicerce ao Banco Digital da Caixa Econômica Federal, iniciativa que o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer levar à bolsa nos próximos meses. As tratativas com o Banco Central para a formalização do Banco Digital como subsidiária apartada da Caixa, algo necessário para uma eventual abertura de capital no futuro, estão em estágio inicial, segundo fontes.

A Caixa já comemora. “Dia muito importante para a Caixa ontem. Com a conversão em lei, a poupança social digital será, agora, permanente e poderá ser ampliada para o pagamento de outros benefícios sociais”, disse o banco ao Broadcast. De acordo com a Caixa, o Banco Digital terá, de modo recorrente, pelo menos 35 milhões de clientes, que são aqueles que já estão recebendo o auxílio emergencial por meio do aplicativo Caixa Tem. O banco pretende incluir no aplicativo os 3 milhões de clientes do programa Minha Casa Minha Vida.

Na prática, a porta foi aberta também para dar perenidade ao banco digital da Caixa e para fidelização dos clientes à plataforma, exatamente em um momento de grande competição entre bancos e fintechs.

Fontes afirmam que o Banco Digital da Caixa pode chegar em 100 milhões de contas. O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, tem proclamado que a Caixa já é o maior banco digital do mundo. Além de canalizar o pagamento de todos os benefícios, daqui para frente, grandes quantidades de trabalhadores poderão utilizar a conta para saques especiais do FGTS, como em casos de calamidade pública, que são frequentes nos períodos de chuva.

A conta poupança digital permanente é gratuita e tem transações mensais limitadas a R$ 5 mil ao mês. Mas a Caixa também trabalha no uso da conta comercialmente, ou seja, já está fazendo a oferta de microsseguros e uma agenda para o lançamento de microcrédito está em andamento, o que deve ocorrer logo após o fim do auxílio emergencial, com uma meta de chegar a 10 milhões de clientes.

O passo da Caixa na direção de um banco popular digital já causa inveja em outras instituições financeiras, especialmente fintechs que brigam para atrair público. O Nubank, maior banco digital do País, está longe dos números da Caixa, carregando uma carteira de 17 milhões de contas. O Neon, focado nas classes C e D, mesmo nicho da Caixa, tem 9,5 milhões de clientes e avançado para ofertas que vão além das contas para pessoas físicas, com produtos e serviços para os microempreendedores.

Mesmo que o trâmite junto ao BC seja um passo para uma futura abertura de capital, o processo junto ao regulador está apenas no início, tendo começado há poucas semanas, segundo fonte. O racional é trabalhar devagar e com atenção aos detalhes, mas o presidente do BC, Roberto Campos Neto, teria apoiado a iniciativa, apurou o Broadcast.

O direcionamento da Caixa para produtos voltados à baixa renda ganhou proporções enormes com a pandemia. O presidente da Caixa tem sido vocal também quanto ao “sucesso” do auxílio emergencial. Repetidamente, sempre que vem à público, Guimarães ressalta a capacidade do banco de colocar em pé, em apenas alguns dias, o maior programa de distribuição de renda do País, por meio do aplicativo Caixa Tem. O executivo tem reiterado o alcance do serviço, acessível a comunidades distantes do País, o que permitiu a inclusão de algo como 40 milhões de não bancarizados, diz ele.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 23/10/2020 às 12:26
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