Leilão 5G cria cabo de guerra entre teles

Leilão 5G cria cabo de guerra entre teles

Circe Bonatelli

03 de dezembro de 2019 | 05h31

FOTO PAULO LIEBERT/AE

O debate sobre o leilão do 5G colocou em campos opostos as empresas de telecomunicações. De um lado, as fornecedoras de equipamentos e dispositivos, como Huawei, Ericsson e Nokia, intensificaram as movimentações em Brasília para convencer a Presidência da República a agilizar a realização do leilão das faixas de frequência da tecnologia 5G. O certame estava previsto para o começo de 2020, mas continua sem data, e pode escorregar para 2021. Quem participará do leilão são as teles – como Vivo, TIM, Claro e Oi – que oferecem o sinal aos consumidores. Mas só depois do leilão começam as grandes compras de equipamentos. Daí a pressa das fornecedoras, que são empresas globais e já têm investido no desenvolvimento da infraestrutura para as novas redes.

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Água no chope. As teles, porém, não têm pressa e preferem um adiamento do leilão para ajustes no edital da disputa. Vivo e TIM já criticaram publicamente a versão preliminar do edital, que ainda está em análise na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Um dos pleitos é que o valor das outorgas não seja alto, sob o risco de inviabilizar investimentos na implantação das redes. Já a Oi, com pouco dinheiro em caixa, disse que adiar o leilão ajudaria as teles a ganhar fôlego depois dos desembolsos recentes com 4G.

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O tempo urge. Mas as fornecedoras não querem saber de esperar. Especialmente a Huawei, que já foi atingida pela guerra comercial entre China e Estados Unidos. O governo brasileiro historicamente adota o discurso de neutralidade da rede, isto é, permanece aberto a todos os tipos de equipamentos, desde que sigam dos critérios técnicos exigidos. Mas há receio de que a pressão de Donald Trump possa se concretizar em barreiras para produtos chineses também por aqui.

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