Liquidez e juro baixo levam bancos de investimento para nível pré-pandemia

Liquidez e juro baixo levam bancos de investimento para nível pré-pandemia

Fernanda Guimarães

25 de agosto de 2020 | 08h06

Depois do primeiro baque com a paralisação de praticamente todas as transações com a chegada da pandemia, os bancos de investimento se deparam hoje, no quinto mês de quarentena, com as atividades fervilhando, chegando ao nível pré-covid-19.

Empresas, muitas delas com perfil de consolidadoras, começaram a buscar dinheiro no mercado atentas a oportunidades de aquisições. Diariamente, o número de operações na mesa desses banqueiros não para de crescer. Por trás, muita liquidez e juro baixo, que estão mudando a dinâmica do mercado de capitais brasileiro, provocando um novo boom de ofertas de ações.

Com a curva crescente de operações ao longo das últimas semanas, a aposta já é de que o ano será ao menos igual a 2019, quando as receitas dos bancos de investimento em atividades de mercado de capitais e assessoria financeira no País somaram US$ 1,05 bilhão, conforme dados da Dealogic. Neste ano até aqui, elas já somaram R$ 488,88 milhões, ainda de acordo com o levantamento da consultoria, a pedido do Broadcast.

Grande parte das receitas segue vindo da atividade de renda variável, sendo que o volume de ofertas de ações – somando as iniciais (IPOs, pela sigla em inglês) e as subsequentes (follow ons) na B3 – já está em mais de R$ 60 bilhões. A expectativa é chegar a até R$ 120 bilhões neste ano, batendo o valor recorde de 2019. A conta exclui as operações realizadas fora do País, que somam o volume mais de R$ 10 bilhões.

O responsável pelo banco de investimento do Bradesco BBI, Alessandro Farkuh, comenta que, neste momento, uma operação do banco de investimento começa a impactar outros produtos. “Estamos vivendo um momento em que o ciclo positivo de um produto afeta o ciclo de outro”, explica o executivo. Em ações, destaca ele, o número de empresas candidatas para abrir capital tem sido grande e houve, ainda, um represamento das ofertas por três meses por conta da pandemia, o que deve provocar um movimento grande até o início de 2021. “No momento estamos com dificuldade de tráfego”, afirma o executivo.

O presidente do Morgan Stanley no Brasil, Alessandro Zema, aponta que o movimento da atividade do banco de investimento ganhou muita tração a partir de junho e que a leitura neste momento é que de agora até o fim do ano virá o período mais movimentado de 2020, algo que já pode ser observado tendo em vista a fila de ofertas de ações para o próximo mês.

“Até em agosto, um mês que historicamente muitos executivos tiram férias, foi muito aquecido”, comenta. Os roadshows e reuniões que agora têm sido 100% virtual, hoje em dia algo mandatório pela pandemia, acabou tornando possível a rotina intensa que os executivos se depararam com a retomada da atividade.

A percepção é a mesma no Itaú BBA. O chefe global de banco de investimento da instituição financeira, Roderick Greenlees, comenta que houve um baque nas primeiras semanas de fevereiro, quando todas as operações entraram em compasso de espera. Em junho, o mercado começou a retomar, com algumas operações indo a mercado, o que foi provando, para empresas e investidores, que havia apetite. “Antes da pandemia tivemos 10 operações de renda variável e na pandemia já tivemos 15”, disse o executivo. “Estamos muito otimistas.”

O mercado de dívida também começa a se recuperar, comentam os executivos, embora no mercado local ainda esteja abaixo dos níveis de 2019. Em fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), as operações também estão ganhando tração, muitas delas com perfil de empresas buscando consolidação no mercado.

“A crise também gera oportunidades de consolidação e quando vem acompanhada da melhora do mercado de capitais, as empresas conseguem, por exemplo, levantar um dívida mais longa”, afirma Zema, do Morgan Stanley. “Veremos mais histórias de M&A se tornando públicas até o fim do ano”.

Já o sócio responsável pela área de finanças do BTG Pactual, João Dantas, afirma que o equilíbrio visto nos negócios hoje em relação ao momento pré-pandemia se deve à boa resposta à crise que foi dada pelos governos. “Estamos hoje vendo um mercado bastante funcional, com liquidez”, afirma o executivo. Com isso, o resultado vem sendo de aumento da atividade de banco de investimento, com um mercado de capitais bastante ativo.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 21/08/2020 às 12:06:10 .

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