Liquidez pode facilitar sucesso de bond incomum e de mais de US$ 1 bi da Braskem

Liquidez pode facilitar sucesso de bond incomum e de mais de US$ 1 bi da Braskem

Cynthia Decloedt

16 de julho de 2020 | 12h36

Com uma alavancagem elevada, o balanço impactado pela pandemia e um enorme passivo ambiental em Alagoas, a petroquímica Braskem chega ao mercado internacional com a intenção de levantar até US$ 1,5 bilhão em títulos de dívida (bonds), usando uma estratégia pouco comum aos emissores brasileiros. Chamados de híbridos, os títulos que a empresa quer vender lá fora têm características que remetem a uma ação. Ou seja: pouca proteção ao investidor e ficam por último na fila pagamento, caso a empresa sofra alguma pane financeira. Apesar da difícil história da Braskem – que além de tudo é o pilar do plano de recuperação judicial da Odebrecht -, a farta liquidez dos mercados deve facilitar a digestão da oferta pelos investidores, especialmente porque, provavelmente, virá com um prêmio atraente. As conversas não são fáceis de toda a forma, tanto que a companhia já deixou para a semana que vem o anúncio ao mercado da operação, que era previsto para hoje.

Fartura. Todas as companhias que acessaram o mercado de dívida no exterior desde meados de maio tiveram grande sucesso. Os livros de ordens das operações de bonds feitas no pós-pandemia têm sido preenchidos com volumes que superam, na média, quatro vezes o que as empresas levantaram. Para alguns nomes, como Petrobras, a demanda chegou a cinco vezes. Com este grau de interesse, puxado pelo juro zero no mundo, os emissores têm conseguido o feito inédito de captar a custo semelhante ao praticado antes da pandemia, apesar das várias incertezas que ainda cercam o mundo à respeito dos desdobramentos do covid-19.

Pedágio. No caso da Braskem, o mais provável é que os investidores exijam um pedágio para colocar o papel na carteira, dada as características dos bonds e dos riscos implícitos da empresa. Uma ideia comentada no mercado é de que a taxa de remuneração fique em torno dos 7,5%, considerando um horizonte de cinco anos, já que, embora o bond seja perpétuo, existe no contrato do bond a opção de recompra dos papéis pela companhia no quinto ano.

Arriscado. Na estrutura dos bonds propostos pela Braskem, o juro a ser pago deixa de ser fixo após cinco anos e ainda o emissor poderá optar por postergar o pagamento de juro dos papéis, que ficarão sendo acumulados nessa hipótese. Também, o bond não têm cláusulas de compromissos financeiros ou operacionais, os chamados covenants e que são comuns nos bonds. Essas cláusulas asseguram os investidores a possibilidade de cobrança dessa dívida se algumas dessas cláusulas forem descumpridas. Procurada, a Braskem não comentou.

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