Lobby do turismo pede suspensão dos contratos de trabalho até fim do ano

Lobby do turismo pede suspensão dos contratos de trabalho até fim do ano

Circe Bonatelli

14 de junho de 2020 | 05h00


Palácio Tangará, complexo de alto luxo ao lado do Parque Burle Marx, na zona sul de São Paulo, fechado durante a quarentena. Crédito da foto: Nilton Fukuda/Estadão

São Paulo, 14/06/2020 – Os empresários de hotelaria e lazer – dois dos segmentos mais afetados pela crise do coronavírus – estão cobrando o Senado a prorrogar por mais 180 dias a Medida Provisória (MP) 936, que permite a suspensão ou a redução dos contratos de trabalhadores. O pleito foi endereçado aos parlamentares por meio de uma carta conjunta que reuniu a assinatura de líderes de 19 associações nacionais e regionais.

O setor argumenta que pode haver uma onda de demissões em massa e quebradeira de empresas a partir do próximo mês, já que a validade da MP 936 expira no dia 1º. Depois disso, os contratos de trabalho voltam ao normal. Isso causará um impacto relevante para os hotéis, por exemplo, já que cerca de 60% das suas despesas são com folha de pagamento. Ao todo, o 2,9 milhões de pessoas trabalham no ramo de hotelaria e lazer no Brasil.

Setor de hotelaria e lazer prevê recuperação lenta após pandemia

Mesmo que os hotéis estejam sendo reabertos mediante a flexibilização da quarentena, o setor projeta que a recuperação será muito lenta, porque boa parte dos consumidores não têm dinheiro nem confiança para viajar nos próximos meses. E aqueles que têm, enfrentarão dificuldades de encontrar voos, já que a malha aérea foi diminuída pelas companhias. Com isso, as atividades só devem voltar ao nível pré-covid em 2023.

A falta de voos preocupa principalmente os resorts em praias desertas e zonas de natureza preservada. A Associação Brasileira de Viagens de Luxo (que adota o nome em inglês Brazilian Luxury Travel Association, BLTA) tem apenas 4 dos 39 hotéis em operação neste momento. O grupo reúne marcas de luxo nas capitais (Fasano, Emiliano, Unique, entre outros) e regiões afastadas (TXAI, em Itacaré-BA, e Cristalino Lodge, em Alta Floresta-MT).

“O Brasil é gigante. Se não tiver malha aérea, os hotéis ficarão inacessíveis”, alerta a diretora executiva da BLTA, Simone Scorsato, acrescentando que alguns dos associados estão pensando em continuar de portas fechadas até o ano que vem, quando a disponibilidade de voos estiver normalizada.

Senado vota nesta semana prorrogação da MP 936

O Senado votará na terça-feira, 16, a prorrogação da MP 936. O relator no Senado, Vanderlan Cardoso (PSD-GO), já deu declarações de que considera o assunto importante para o setor de hotelaria e turismo, o que é um bom sinal para os empresários.

O projeto já foi aprovado na Câmara, que também inseriu no texto um dispositivo que permite ao Poder Executivo adotar a medida por decreto, sem necessidade de novo aval dos parlamentares. Se aprovado no Senado, caberá à Presidência da República sancionar o projeto e definir quais setores poderão adotar a prorrogação da MP 936.

Contato: colunabroadcast@estadao.com

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