Mais de R$ 9 bi em ofertas de ações chegam à Bolsa na próxima semana

Mais de R$ 9 bi em ofertas de ações chegam à Bolsa na próxima semana

Cynthia Decloedt

07 de julho de 2021 | 17h00

Cenário macroeconômico é positivo para mercado de capitais, segundo especialistas Foto: Gabriela Biló / Estadão

Uma nova safra de oferta de ações será inaugurada na próxima semana com um movimento previsto de mais de R$ 9 bilhões e potencial para alcançar um novo recorde, segundo bancos estruturadores. Considerando todas as 16 ofertas que estão protocoladas, a possibilidade seria de uma janela de R$ 45 bilhões, montante superior à primeira janela do ano, que foi recorde, de R$ 33 bilhões. Mas são números que podem mudar, uma vez que nem sempre há apetite ou estabilidade no mercado capaz de garantir o sucesso de todas.

Os especialistas indicam, no entanto, que os sinais são positivos, do ponto de vista do cenário macroeconômico, com as projeções do PIB favorecendo o humor dos investidores. Para explicar o otimismo, eles apontam ainda para um maior número de ofertas grandes, o que dá conforto aos investidores em termos de liquidez, relacionados a empresas fortes, além do fato de que, ao contrário da janela anterior, as ofertas devem chegar com preços mais justos.

O desempenho favorável das ações que vieram à Bolsa desde janeiro também deve dar sustentação à nova leva de IPOs (ofertas iniciais, na sigla em inglês) e ofertas subsequentes (follow-ons), na opinião do responsável pelo banco de investimento do Santander, Gustavo Miranda.

Miranda cita que dos 28 IPOs feitos de janeiro até agora, 20 têm suas ações com desempenho positivo na Bolsa desde a precificação, sendo que 18 superam o desempenho do Índice Bovespa. Entre as 16 ofertas subsequentes, apenas cinco tiveram desempenho negativo, segundo ele. “A revisão das expectativas para um cenário macroeconômico mais favorável, somada a ofertas maiores e de boas empresas e a um histórico de desempenho positivo das ofertas anteriores, impulsiona a performance dos gestores e os incentiva a seguir participando das boas histórias”, pontua.

Por outro lado, Miranda lembra que a Bolsa tem estado sujeita à volatilidade, acrescentando que nos últimos dias reagiu em baixa às renovadas preocupações fiscais e digerindo outras notícias. Segundo ele, questões hidrológicas e o cenário eleitoral também não entraram de forma contundente nas discussões de mercado. O executivo também observa que os gestores estão mais rigorosos nas discussões de valor das ofertas, algo que começou na segunda janela do ano, e, de acordo com ele, passou a ser uma constante.

O sócio e responsável pelo banco de investimento da XP, Pedro Mesquita, vai mais longe e diz que o ambiente positivo deve permitir que até R$ 200 bilhões em ofertas em Bolsa sejam feitas este ano, superando o recorde de R$ 117 bilhões de 2020. “Quando se olha os indicadores como economia, resultados das empresas e perspectivas de reformas, assim como o avanço da vacinação apontando para o controle da pandemia, essa é uma projeção que pode até ser considerada conservadora”, diz.

Mesquita chama também atenção ao fato de que as novas histórias seguem atraindo investidores, como por exemplo, empresas menores do setor de telecom, como Brisanet, Unifique e Desktop,  aproveitando o momento para vir a mercado. A Unifique, por exemplo, já chega com cerca de 70% de sua oferta com investidores interessados.

Retomada

A SmartFit, que abre  a semana com seu IPO de até R$ 3 bilhões,  tem atraído demanda suficiente para cobrir mais de 10 vezes o que está ofertando, de acordo com fontes. A precificação acontece na segunda-feira, dia 12, e a tese da retomada tem atraído investidores que olham como um espelho o desempenho de ações do segmento de academias nos Estados Unidos, onde a vacinação e a flexibilização das atividades estão aceleradas.

De setores mais tradicionais, mas que também miram histórias focadas na retomada, mais especificamente a econômica, estão as ofertas da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) no dia 13 e da Intercement, segunda maior produtora de cimentos do país, no dia seguinte (14). A expectativa é a de que movimentem cerca de R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões, respectivamente.

Outra grande oferta prevista para a semana que vem (15) é da fabricante de eletrônicos e eletrodomésticos Multilaser, com perspectiva de movimentar R$ 2 bilhões. A oferta já tem âncoras.

Também atraem atenção as ofertas  da Raízen, que promete movimentar R$ 10 bilhões, e da Oncoclínicas (R$ 6 bilhões).

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 06/07/2021, às 18h16.

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