Mar revolto para aberturas de capital já machuca bancos de investimento

Mar revolto para aberturas de capital já machuca bancos de investimento

Matheus Piovesana e Altamiro Silva Junior

12 de novembro de 2021 | 05h20

O último IPO na B3 aconteceu no começo de agosto.   Foto: Gabriela Biló / Estadão

A piora recente do mercado, que afetou em cheio as aberturas de capital, já pesa nos balanços dos bancos. Desde o começo de agosto, nenhuma empresa consegue emplacar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no Brasil, o que contribuiu para a queda de até dois dígitos nas receitas das instituições que têm esse tipo de negócio. Com a paradeira na reta final de 2021, o impacto deve ser ainda mais sentido nos números do quarto trimestre.

No Itaú, as receitas com assessoria econômico-financeira e corretagem caíram 30% no terceiro trimestre, em relação ao segundo. É nessa linha que os bancos compilam as receitas com assessoria a emissões de papéis no mercado de capitais, fusões e aquisições.

No caso do Itaú, o mergulho foi mais forte porque nessa mesma rubrica eram computados os resultados da XP – cuja participação foi cindida do maior banco da América Latina, em maio. O Bradesco também sofreu, mas numa proporção menor: a baixa foi de 3,8%, no mesmo período. A exceção foi o Santander, que teve alta de 16,6%.

Liderança

O Itaú BBA é o líder em assessoria a operações de renda variável no mercado de capitais brasileiro. De acordo com a plataforma de dados Dealogic, até o fim de setembro o banco participou de 59 emissões, com volume de R$ 21 bilhões. Em outros rankings, como o da Anbima, o BBA também lidera – e Santander e Bradesco figuram no top 10.

O terceiro trimestre pode ter sido um ensaio do que os bancos de investimento viverão nos próximos meses, diante da piora das condições financeiras e da proximidade das eleições presidenciais do ano que vem. O último IPO feito no País aconteceu no começo de agosto. De lá para cá, várias ofertas foram canceladas ou adiadas para 2022, que também se desenha desafiador. “O ano que vem é um ano de eleição, em que tipicamente essas linhas de negócios sofrem porque as janelas e as oportunidades acabam fechando”, disse o presidente do Itaú, Milton Maluhy, a analistas de mercado.

No quarto trimestre, até agora, a única oferta de ações feita no mercado doméstico foi a venda subsequente de papéis (follow on) da 3R Petroleum, coordenada pelo Itaú BBA, e que levantou R$ 2,4 bilhões. A operação teve uma providencial ajuda de um grupo de investidores âncora, que incluiu a família Gerdau e as gestoras Brasil Capital e Kapitalo, como mostrou a Coluna.

As ofertas de ações das brasileiras nos EUA podem ajudar a compensar parte da piora doméstica. Nesta semana a empresa de tecnologia CI&T abriu o capital na Bolsa de Nova York e a fila nas próximas semanas inclui o IPO bilionário do Nubank, o da bandeira de cartões Elo, além da Ebanx, Hotmart e Conductor, que podem acontecer no começo de 2022.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 11/11/21, às 18h34.

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