Marisa tenta convencer quase 60 mil CPFs a participar de aumento de capital

Marisa tenta convencer quase 60 mil CPFs a participar de aumento de capital

Talita Nascimento

16 de dezembro de 2021 | 05h10

Pessoas físicas representam quase 27% dos sócios da  Marisa   Foto:  Werther Santana/Estadão

A Marisa anunciou um aumento de capital que pode levantar até R$ 250 milhões, que aliviariam sua dívida de curto prazo. A família Goldfarb, fundadora da rede varejista, comprometeu-se a comprar cerca de R$ 90 milhões das novas ações. Segundo fonte próxima à companhia, os principais fundos com papéis da empresa também estariam aderindo ao projeto. No entanto, a varejista tem mais de 58 mil investidores pessoas físicas, que parecem não ter entendido bem a promoção “pague uma e leve duas” ações da varejista. Os CPFs representam quase 27% dos sócios da companhia. Não à toa, o setor de relações com investidores passou a receber, nos últimos dias, vários e-mails, aos quais a Coluna teve acesso, com dúvidas sobre a operação.

“Quero exercer meu direito de preferência e adquirir o máximo possível de ações a que tenho direito (nessa subscrição privada)“, diz um investidor de longa data da companhia, em letras garrafais. Incomum junto à pessoa física – e por isso as muitas dúvidas -, essa operação só permite que ele adquira quantidade equivalente a 31% dos papéis que já possuía até o dia 10 deste mês.

Outro acionista disse que, mesmo junto a sua corretora, não conseguiu informações. Um terceiro investidor diz não saber como emitir seu desejo de participar da operação: “Não vejo essa definição em lugar nenhum”. Há também quem confunda o desconto dos papéis com uma fração a mais de 0,85 que a empresa promete daqui a cerca de nove meses, para quem participar do aumento de capital agora.

Ainda há quem não entenda por que seu direito de subscrição não aparece na tela de seu home broker. “Queria que verificassem o que ocorreu”, escreve o investidor. A opção só aparece na tela após a adesão.

Caminho das pedras

Ações que não forem compradas pelas pessoas físicas no aumento de capital podem ser rateadas entre os fundos, o que diluiria ainda mais os investidores menores. Com a tentativa de evitar esse problema e responder a dezenas de perguntas, a Marisa tem trabalhado junto às corretores, para que mostrem o caminho das pedras ao investidor que está perdido.

Para lidar com sua dívida de curto prazo, a varejista conseguiu aprovar no conselho uma forma de levantar mais dinheiro junto a investidores já existentes. Para atraí-los, a empresa oferece os novos papéis com desconto.

Enquanto a Lojas Marisa é negociada a cerca de R$ 3,60 na Bolsa, as novas ações seriam ofertadas a R$ 3,08. Além do desconto, na adesão ao aumento de capital, o investidor receberá um bônus que dá direito de subscrição a 0,85 ação por R$ 3,62 no fim de 2022.

Gustavo Bertotti, analista da Messem Investimentos, diz que as ofertas desse tipo ficam disponíveis nos sites das corretoras e o investidor deve exercer seu direito de participar da operação por esse caminho.

Segundo ele, muitas vezes, ao ver o preço dos novos papéis, o mercado pode passar a negociar as ações disponíveis por valores ainda mais baixos. Assim, mesmo com o desconto, o investidor pode pagar mais caro pelos papéis do aumento de capital do que os negociados na Bolsa. No entanto, o inverso também pode acontecer, caso o mercado entenda a operação como muito positiva para a companhia.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 15/12/21, às 18h39.

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