Mercado atraente faz empresas levarem subsidiárias para bolsa em movimento bilionário

Fernanda Guimarães

30 de agosto de 2020 | 15h21

Com o mercado de renda variável caminhando para ter um ano recorde de emissão de ações, em um momento de liquidez sem precedentes buscando rentabilidade em um mundo de juros baixíssimos, inclusive no Brasil, as companhias brasileiras de capital aberto começaram a fazer um movimento que está ganhando escala: levar subsidiárias para uma abertura de capital. Essa onda acaba de ganhar os holofotes com a endividada Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Benjamin Steinbruch, contratando bancos em uma única tacada para ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) de suas unidades de mineração e de cimento.

Além da CSN, que busca com as ofertas das subsidiárias reduzir de forma considerável seu endividamento de mais de R$ 30 bilhões, outras companhias estão atentas a “destravar” valor de ativos que consideram que não têm visibilidade suficiente por parte dos investidores. A tradicional empresa do setor imobiliário Cyrela, de Elie Horn, tem nada menos do que três controladas já com protocolo feito junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para realizar IPO entre setembro e outubro. São elas Cury, Lavvi e Plano & Plano. Em relatório enviado ao mercado, o Credit Suisse alertou o mercado a ficar atento ao que chamou de “tesouros ocultos” da companhia. Chamou atenção ainda para a fintech CashMe, especializada em empréstimos que usam imóveis como garantia. Outra do setor, a MRV, quer levar sua controlada Urba para uma abertura de capital.

“O IPO de subsidiárias é um movimento que acaba ocorrendo quando as unidades acabam ganhando peso suficiente para irem à Bolsa. Em alguns casos ajuda os investidores a verem de forma mais clara o valor do ativo”, destaca o sócio da área de mercado de capitais do escritório Mattos Filho, Jean Marcel Arakawa.

No mercado, contudo, há um corrente de que tal estratégia não ajuda a agregar valor. No final da semana passada, a gestora Squadra, que neste ano ficou sob todos os holofotes do mercado ao fazer um relatório de centenas de páginas expondo as suas razões de estar vendida no ressegurador IRB Brasil Re, pontos provados meses depois, disse que recentemente tem observado “sinais de entusiasmo no mercado” e citou a “narrativa de que aberturas de capital de subsidiárias geram valor substancial para empresas com ações negociadas em bolsas de valores”.

“O valor de uma empresa é dado pelos seus fluxos de caixa trazidos a valor presente. Via de regra, ao se listar uma subsidiária, criam-se despesas novas, ineficiências fiscais diversas e se engessa o balanço patrimonial, prejudicando a alocação de capital entre diferentes negócios de uma holding”, segundo a carta da Squadra enviada a seus cotistas. Ainda segundo o documento, o maior exemplo de destruição de valor aos acionistas com listagens de controladas foi quando as companhias aéreas levaram suas empresas de fidelidade à B3, caso de Gol e Smiles. “O governo, como arrecadador de impostos, agradeceu”, disse.

A Squadra disse reconhecer que, em alguns casos, pode sim destravar valor, mas diz que não acredita que esse seja o caso da maioria das empresas brasileiras. Diz, contudo, que há casos de listagem de subsidiárias cujas razões considera legítima, como a necessidade de redução de alavancagem, que seria o caso das subsidiárias da CSN.

Neste ano, já houve o movimento de empresas levando subsidiárias para um IPO. A Cogna, por exemplo, levou sua controlada Vasta, uma “edutech”, para uma listagem na bolsa norte-americana Nasdaq. A incorporadora Direcional também tentou levar sua controlada Riva9 à B3, mas não teve sucesso, por encontrar investidores seletivos, e a oferta não obteve demanda suficiente.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 26/08/2020 às 16:27:31.

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