Mercado vê JPMorgan como potencial comprador da fatia da TIM no C6

Mercado vê JPMorgan como potencial comprador da fatia da TIM no C6

Circe Bonatelli

03 de agosto de 2022 | 05h25

Fachada do C6, em São Paulo. Foto Gabriela Bilo/Estadão

Os analistas de telecomunicações do BTG Pactual já começaram a fazer as contas sobre o quanto a TIM poderia embolsar numa eventual oferta do JP Morgan pela participação da operadora no banco digital C6, no qual ambos são sócios. O valor estimado foi de R$ 1,3 bilhão.

O pano de fundo é o seguinte: a TIM e o C6 firmaram parceria em 2020 na qual os clientes da tele que abrem uma conta no C6 e/ou pagam suas recargas e faturas por lá ganham bônus no pacote de dados. Trata-se de um incentivo para aumentar a base de usuários no banco digital. Em troca, a operadora recebe o direito de subscrever ações do C6. A fatia no bolo aumenta à medida que a tele encaminha clientes para o parceiro.

Na divulgação de seu balanço nesta semana, a TIM informou que a evolução das metas operacionais da parceria lhe garantiu o direito de exercer, em julho, mais uma tranche do bônus de subscrição no C6. Com isso, atingiu uma participação de 5,16% no banco. O acordo prevê que essa fatia pode chegar a 14,5%.

Participação da TIM no C6 já chega a 5,16%

Pelas contas dos analistas Carlos Sequeira e Osni Carfi, do BTG Pactual, essa fatia de 5,16% da TIM no C6 vale R$ 1,3 bilhão. Eles tomaram por base o fato de que o JP Morgan pagou R$ 10 bilhões por uma participação de 40% no C6 um ano atrás, que deu ao banco digital uma avaliação de R$ 25 bilhões.

Os analistas farejam aí a chance de a TIM ganhar um bom dinheiro no futuro negociando essa fatia no C6. Afinal, seu negócio é vender plano de telefonia e internet, não contas correntes. O JP Morgan seria um candidato natural a arrematar essa fatia.

Em relatório, eles apontaram que o JPMorgan pode estar interessado em ficar sozinho no C6, ao lado apenas dos sócios-fundadores, fazendo uma oferta de compra da participação da TIM no banco digital. Se a oferta for feita, os analistas esperam que o C6 valha, pelo menos, os mesmos R$ 25 bilhões, apesar da queda no valor das fintechs desde o início do ano.

TIM e C6 disputam termos do acordo em arbritragem

Outro detalhe importante: segundo apurou a Coluna, o acordo entre TIM e C6 estabelece que a tele não pode ser diluída em caso de potenciais aumentos de capital na instituição financeira ou na entrada de novos sócios – algo que seria uma pedra no sapato do banco se tiver interesse em emitir ações.

Vale lembrar ainda que a TIM e o C6 iniciaram um processo de arbitragem em 2021 para resolver discordâncias sobre o plano de metas que baliza o envio de clientes da tele para o banco, e a remuneração atrelada a essas metas. O C6 pediu a rescisão do acordo, mas a TIM conseguiu uma decisão favorável, que a preserva dentro do negócio.

O presidente da TIM, Alberto Griselli, foi questionado por analistas hoje, em teleconferência, sobre os rumos no C6. A resposta é que qualquer tomada de decisão precisa aguardar o fim do processo de arbitragem. Só aí a TIM decidirá o que fazer em “termos de monetização do ativo”, respondeu. Procurado, o C6 disse que não comentaria o assunto devido ao sigilo imposto pelo processo de arbitragem.

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