Mesmo com ampla liquidez, empresas correm para acessar bolso dos investidores

Mesmo com ampla liquidez, empresas correm para acessar bolso dos investidores

Fernanda Guimarães

14 de julho de 2020 | 14h00

É inegável que os trilhões de dólares que rondam os mercados em todo o globo na busca por retorno têm criado um ambiente propício para que um número crescente de empresas acessem o mercado em busca de recursos. Não é diferente no Brasil, com a fila de candidatas para ofertas de ações – tanto as iniciais (IPOs, na sigla em inglês), como as subsequentes (os follow on) – crescendo dia após dia. No entanto, mesmo com muitos recursos disponíveis, dado o cenário de injeção de liquidez pelos Bancos Centrais em todo o mundo e juros baixíssimos no Brasil, as companhias estão acelerando os passos para lançarem suas ofertas. A corrida é para chegar antes ao bolso do investidor. Para o segundo semestre estão na fila de 30 a 50 ofertas de ações na bolsa brasileira.Essa corrida deverá ser mais evidente no setor imobiliário, que é aquele com maior concentração setorial entre as proponentes para realizarem um IPO na B3 ainda no segundo semestre do ano.

 

A percepção é que, mesmo que os investidores estejam buscando ativos para alocarem seus recursos, as empresas que conseguirem sair na frente com suas ofertas terão mais chance de conseguirem melhores captações. Entre os IPOs, dos cerca de vinte prospectos de aberturas de capital que já estão protocolados junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), metade é do setor imobiliário. “A sugestão tem sido de lançar a oferta o mais cedo possível”, disse uma fonte de um banco de investimento, na condição de anonimato. Ainda não se sabe, segundo ele, até que ponto os investidores absorverão todas as ofertas de um mesmo setor.

 

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Existe ainda a percepção de que a janela, no momento positiva, pode apetite em oferta da Lojas Americanas se fechar a qualquer momento. “Acredito que existe uma realização de que as janelas abrem e fecham com facilidade. Então, enquanto a janela está aberta, quem já estava preparado para vir em abril está retomando os planos rapidamente sim. Mercado acionário é algo que se faz ‘quando dá e não quando a empresa quer’. Daí a movimentação grande que tem acontecido”, explica uma segunda fonte de um banco de investimento. Prova disso foi a chegada da crise trazida com a pandemia de covid-19 em março, que fechou a janela de captação, que parecia longeva e promissora, de forma abrupta, deixando para trás cerca de vinte empresas que queriam abrir capital no início do segundo trimestre. Agora elas retomaram a posição na fila e querem sair rápido com as ofertas.

As últimas semanas foram de grande movimento para o mercado acionário brasileiro, com diversas ofertas saindo da gaveta. Entre os follow ons já estão na rua a rede de farmácias Panvel, e a fabricante de papel e embalagem  Irani , a varejista Lojas Americanas e a do setor de construção JHSF – todas com precificação entre esta e a próxima semana. Entre as aberturas de capital, o mês também vem sendo movimentado: já foram dois IPOs em julho, a da fabricante de ouro Aura Minerals e a empresa de gestão ambiental Ambipar. Neste mês preparam a estreia, ainda, a Riva 9, uma subsidiária da Direcional Engenharia, e o Grupo Soma, varejista de moda dona de marcas famosas como Farm e Animale.

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Entre as empresas que estão na fila para abrirem capital mas optaram por esperar os dados do segundo trimestre do ano, a corrida está para o fechamento dos demonstrativos financeiros junto aos auditores, documento necessário para o cumprimento das formalidades junto ao regulador. Nesse grupo estão mais de 10 empresas que querem acessar o bolso dos investidores no mais tardar em outubro. Dentre os nomes estão Petz, Quero-Quero, Cury, Kallas e o banco BR Partners, dentre outros.

Esta matéria foi publicada no Broadcast no dia 13/07 às 16:48:57

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