Mesmo com atuação do BC, empresas preferem preservar caixa a recomprar

Mesmo com atuação do BC, empresas preferem preservar caixa a recomprar

Cynthia Decloedt

17 de março de 2020 | 05h00

Alguns bancos de investimento estão propondo às companhias com títulos de dívida emitidos no exterior que aproveitem o momento de forte queda nos preços de seus papéis para recomprá-los. Para isso, porém, elas teriam de usar o próprio caixa. Motivo: com a turbulência gerada nos mercados globais pela pandemia do coronavírus, o custo para emitir novas dívidas ficou muito alto. No entanto, o que as instituições estão ouvindo das companhias é que, neste momento, é preferível preservar caixa. Elas temem o impacto da desaceleração econômica em seus negócios e a restrição ao crédito, mesmo com as medidas anunciadas hoje pelo Banco Central e pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), prometendo “bancos abertos a vencimentos de dívidas”. Vale lembrar que normalmente são grandes companhias e de melhor qualidade de crédito aquelas que acessam o mercado de dívida externa para captar recursos.

Já era. Muitas companhias vinham fazendo esse exercício de recompra de papéis nos últimos dias, para melhorar seu endividamento. Antes da pandemia colocar todo o mercado em estado de alerta, a expectativa era de que várias empresas fizessem novas emissões no exterior, para recomprar papéis de maior custo. Também estava prevista a antecipação de operações do segundo semestre, por conta das eleições nos Estados Unidos. Especialistas consideram que, dada a gravidade da atual crise, o montante de novas captações deve ficar abaixo dos US$ 30 bilhões de 2019. Esperava-se que o volume fosse repetido esse ano.

Quase o dobro. Para se ter uma ideia da alta no custo de uma nova emissão, o contrato de proteção contra o calote do Brasil, o chamado CDS, superou nesta segunda-feira o patamar da greve dos caminhoneiros em 2018, de 300 pontos-base. O título de dívida com vencimento em 10 anos da Petrobras, afetado também pela queda do petróleo, caiu 21,7% desde 21 de fevereiro, dia útil antes da segunda-feira de carnaval, quando os temores de recessão global por conta do coronavírus começaram a derrubar os mercados financeiros no mundo. Com a queda, o retorno desse papel, indicador de custo para uma nova emissão, aumentou 87%, para perto de 6%, de 3,665% no dia 21.

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