Minoritários questionam compra de Linx pela Stone por indícios de insider

Minoritários questionam compra de Linx pela Stone por indícios de insider

Fernanda Guimarães

14 de agosto de 2020 | 05h14

Dois dias depois do anúncio da compra da empresa de software Linx pela Stone, a entidade que representa acionistas minoritários, a Amec, vai analisar indícios de uso de informação privilegiada, o insider trading, e se houve prêmio de controle disfarçado. Há indício – apontado como “forte” – de que houve uso de informação privilegiada. Na segunda-feira, a ação da Linx subia 10% pela manhã. No meio do pregão, a empresa soltou um fato relevante (que costuma ser divulgado apenas quando o mercado está fechado) informando sobre uma “possível combinação de negócios com a Stone”. A ação fechou o dia com alta de 35%. No início da noite, a operação foi formalizada. “Ficou a sensação de que empresa se apressou para fazer a divulgação do FR por conta de receio de vazamento”, diz uma fonte. A Amec reúne cerca de 60 investidores institucionais, locais e estrangeiros, com investimentos de R$ 700 bilhões na Bolsa brasileira. Foi procurada e não comentou o tema.

Tem mais. O outro ponto sob análise é se o acordo firmado inclui pagamento de um “prêmio de controle”,  ou melhor, um benefício particular aos três fundadores da Linx. O valor extra não pode existir em companhias como a Linx, listada no Novo Mercado. Esse segmento prevê que os minoritários recebam o mesmo valor no caso de uma venda da empresa. Nércio José Monteiro Fernandes, Alberto Menache e Alon Dayan, que têm juntos 14% da companhia, receberão R$ 240 milhões em um acordo de não competição por um prazo de três anos.

De olho. O regulador do mercado de capitais, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), abriu dois processos administrativos, ambos estão com a data de hoje: um sobre a operação e outra sobre a divulgação do fato relevante.

Fere governança. Um dos principais acionistas minoritários da Linx, com 3% de seu capital, a gestora Fama Investimentos disse que encontrou no acordo entre as companhias “diversos pontos que nos causam estranheza e incômodo no acordo anunciado, pois ferem nitidamente os bons princípios de governança corporativa, bem como a conduta moral e ética que não apenas esperamos, mas exigimos das companhias com as quais estabelecemos relação de sociedade”, afirma a carta da gestora comandada por Fábio Alperowitch, fundador e gestor da Fama e ativista da causa ESG há mais de duas décadas.

Com a palavra. Procurada, a Linx afirma que a operação ainda depende de aprovações e que, assim, prefere não se manifestar neste momento e que “o mercado e demais interessados serão informados sobre esse trâmite por meio dos comunicados oficiais da empresa”. Já a Stone não respondeu até a publicação da Coluna.

Agora, os fundadores. “Os acionistas fundadores da Linx informam que todas as informações relativas a seus contratos e suas obrigações futuras perante a governança da empresa que resultará da aquisição pela Stone estão publicadas por iniciativa própria no site da companhia e da autoridade pública que regula e fiscaliza o mercado de capitais. A publicação de todos os documentos, disponíveis em sua íntegra desde o primeiro momento e de maneira espontânea, respeita as exigências legais de publicidade para transações desta natureza e está em linha com nossa visão de transparência máxima e apoio incondicional aos princípios ESG – meio-ambiente, sustentabilidade e governança corporativa”, disseram em nota.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 13/08/2020 às 15:01:02 .

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse http://www.broadcast.com.br/produtos/broadcastplus/

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.