Mococa sai de recuperação judicial com faturamento mensal 300% maior

Mococa sai de recuperação judicial com faturamento mensal 300% maior

Alda do Amaral Rocha

17 de julho de 2022 | 05h20

Sede do laticínio, em Mococa: nova fase   Foto Google Street View

Após mais de quatro anos, o laticínio Mococa, um dos mais tradicionais do Estado de São Paulo, saiu da recuperação judicial. O pedido de encerramento do processo foi homologado pela Justiça no fim de junho.

Agora a empresa centenária, que vem cumprindo os pagamentos aos credores conforme previsto no plano de recuperação judicial, está em uma nova fase. A Coluna apurou que atualmente o faturamento do laticínio está perto dos R$ 100 milhões mensais, quase 300% mais do que os R$ 25 milhões que tinha em abril de 2018, quando enfrentava dificuldades financeiras e teve de recorrer ao pedido de proteção contra a falência.

Outro número dá indícios da retomada. Quando entrou com o pedido de recuperação, tinha 288 funcionários. Hoje são 413, todos na unidade de Mococa, onde o laticínio foi fundado em 1919.

Empresa terceirizou produção em antiga fábrica

Nesse processo de retomada, a Mococa teve de terceirizar algumas linhas de produção, uma vez que a fábrica não tem capacidade instalada suficiente. Curiosamente, um dos produtos – a bebida láctea – passou a ser fabricado em uma indústria de lácteos que já pertenceu à Mococa, na cidade de Cerqueira César (SP). A unidade foi leiloada em 2019, como parte do plano de recuperação judicial, e ficou com a cooperativa Cativa, do Paraná. Os ativos da Cativa, por sua vez, foram vendidos em 2021 à gigante francesa Lactalis, hoje dona da fábrica.

De acordo com Artur Lopes, sócio da Iwer Capital, consultoria responsável pela reestruturação da Mococa, a retomada foi possível porque o laticínio teve “acesso a capitais que permitiram esse crescimento” e propiciaram “o giro da empresa em bases sólidas”. Os recursos, segundo ele, vieram de bancos e fundos, alguns dois quais já eram credores da Mococa, que desde 2003 é controlada pelo grupo goiano Kremon. Parte do dinheiro obtido foi usada na ampliação da fábrica, com modernização de tanques para recepção e processamento de leite e em novas linhas de embalagem.

Além disso, na reestruturação foram implementadas medidas, que seguem em vigor, como a compra de matérias-primas e insumos à vista, à exceção de fornecedores de leite, que tradicionalmente recebem com prazo de 15 a 20 dias. No começo da RJ, a cobertura comercial também foi modificada e a empresa passou a priorizar redes pequenas e médias, nas quais tem margens melhores. Há cerca de dois anos, voltou às grandes varejistas.

Processo reduziu e alongou passivo do laticínio

Julio Mandel, da Mandel Advocacia, que representa a Mococa, afirma que o processo resultou “em ampla redução e alongamento do passivo” de R$ 140 milhões. “O fim da recuperação permitirá melhora na qualidade do crédito da empresa”, diz.

Conforme o plano, credores trabalhistas e fornecedores de leite receberam 100% dos créditos. Já as dívidas com os quirografários (sem garantia real) tiveram deságio de 80%, e a liquidação deve ocorrer num prazo de 12 anos, considerando um ano de carência a partir da homologação do plano.

Atualmente, o portfólio de produtos da Mococa inclui creme de leite, leite condensado, manteiga, bebida láctea e queijo ralado. A empresa também licencia o uso da marca Mococa para a produção de leite longa vida por outros laticínios.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast  no dia 15/07/22, às 09h00

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