MP aponta suspeitas em contratos e pede afastamento de presidente da Sices

MP aponta suspeitas em contratos e pede afastamento de presidente da Sices

Fernanda Guimarães

03 de novembro de 2020 | 05h30

Uma das primeiras empresas a entrar com pedido de recuperação judicial apontando como causa os efeitos da pandemia, o Grupo Sices, que atua no mercado de energia solar, acaba de ser confrontado pelo Ministério Público de São Paulo. Após receber denúncias anônimas sobre contratos da Sices apontados como suspeitos, o MP-SP entrou com uma ação junto à 1ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem, com pedido de liminar, para o afastamento imediato do presidente da empresa, Leonardo Camillo Curioni. No pedido, o MP afirma que, mesmo que a denúncia tenha sido feita anonimamente, as informações reveladas não eram genéricas, mas precisas e denotando conhecimento sobre o assunto. A empresa nega qualquer irregularidade.

Quem foi? Segundo o documento, o denunciante apontou que “há uma notória continuidade das investidas fraudulentas, voltadas ao superfaturamento de Contratos de Prestação de Serviços celebrados, utilizando-se de pessoas interpostas com o inescusável propósito de esvaziar o patrimônio das empresas recuperandas em prol de interesses particulares e em prejuízo à integralidade de credores da Recuperação Judicial”. Um dos contratos mencionados na denúncia foi firmado com uma empresa de gestão de pessoas, de propriedade da companheira de Curioni, entre abril e outubro, no valor de R$ 1,9 milhão. Consta ainda outro contrato de empresa da companheira do presidente do Grupo Sices.

Esvaziando. A denúncia afirma ainda que houve movimentação suspeita às vésperas do pedido de recuperação judicial, como contratação de mútuos (empréstimo da empresa ao sócio) e doação de imóvel a filho menor de idade.

Dívida. O pedido de recuperação judicial da Sices apontou dívidas de R$ 600 milhões. Entre os credores estão o Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Fibra, Safra, Citi, Daycoval, Itaú Unibanco, Canadian Solar, Sungrow, dentre outros.

Com a palavra. Procurada, a empresa afirma que tomou conhecimento das alegações feitas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo nos autos, mas que as supostas irregularidades não ocorreram, o que será devidamente demonstrado “tão logo a companhia seja intimada a se manifestar no prazo e na forma da lei”. “A companhia, por fim, salienta que atua de forma transparente, observando e fazendo observar elevados padrões de conduta ética”.

Atualização.

A Sices Solar informou hoje que tem um novo presidente. Assumiu no fim do mês passado  Vladimir Ranevsky, que acumula experiência em empresas em recuperação, como OSX e PDG Realty, no lugar do fundador da Sices, Leonardo Camillo Curioni.

Com a mudança, Curioni deixa o comando operacional “para dedicar-se a assessorar o planejamento estratégico e a visão de futuro da empresa”, segundo disse em comunicado.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 02/11/2020.

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