‘Não conseguimos gerar retorno consistente nos multimercados’, diz Figueiredo, da Mauá

‘Não conseguimos gerar retorno consistente nos multimercados’, diz Figueiredo, da Mauá

Altamiro Silva Junior

04 de setembro de 2021 | 10h00

Figueiredo: mercado brasileiro está muito errático  FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

O sócio fundador da Mauá Capital, Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, vai voltar a pôr a mão na massa e fazer a gestão do fundos da casa. Ele não exercia essa atividade desde a virada de 2014 para 2015. Em meio à reestruturação, a Mauá, que tem perto de R$ 6 bilhões em ativos sob gestão, está reduzindo a área de fundos multimercados e quer priorizar os investimentos em ativos ligados à economia real, como o setor imobiliário e o de infraestrutura.

Em entrevista ao Broadcast, Figueiredo diz que os multimercados não estão conseguindo dar o retorno esperado e mantêm essa tendência pela frente. Por isso, a decisão é reduzir essas carteiras. Leia os principais trechos da conversa:

Broadcast: Por que a decisão de reduzir a área de multimercados dentro da Mauá?

Luiz Fernando Figueiredo: Não temos tido muita consistência em termos de retorno para nossos clientes e não temos muita confiança de que vamos conseguir gerar essa consistência pela frente. Resolvemos reduzir nossa atividade nessa área. Os clientes que quiserem vão sacar. Vamos sempre ter a inteligência macro, faz parte do nosso DNA, mas estamos ampliando nosso foco em ativos da economia real.

Broadcast: O que justifica o retorno negativo dos multimercados da Mauá este ano, com alguns caindo perto de 15%?

Figueiredo: O mercado brasileiro está muito errático e tem sido mais desafiador. Isso já acontece há bastante tempo fora do Brasil e mais recentemente tem acontecido no Brasil. Está bem mais difícil hoje se diferenciar em fundos multimercados macro, já que a diversidade é muito grande. Além disso, não temos conseguido gerar consistência em nossos fundos.

Broadcast: Como está o desempenho dos fundos da Mauá fora dos multimercados?

Figueiredo: Nas outras áreas, como imobiliário, ações, estamos indo muito bem, os fundos são muito consistentes. Nos multimercados, não tivemos perdas extraordinária, fora de mandato ou absurdas. Foi uma decisão estratégica.

Broadcast: Qual a participação dos multimercados dentro dos ativos da Mauá?

Figueiredo: Estas carteiras respondem por 10% dos ativos da gestora (perto de R$ 600 milhões). Criada há 16 anos, a Mauá sempre foi mais conhecida pela parte macro, como os multimercados. Mas há 10 anos a gente investe em ativos mais ligados à economia real, incluindo infraestrutura, imobiliária e fundos de ações. Mesmo assim, muitos investidores não identificavam a gestora como atuante nesse setor, mas o pessoal da área imobiliária nos conhece muito bem.

Broadcast: Como o sr. pretende mudar a gestão da Mauá?

Figueiredo: Volto para a gestão. A abordagem será diferente, de alocação mais de longo prazo. Dentro da nova estratégia, vamos ter controle muito rígido da volatilidade dos fundos.

Broadcast: Como ficam os fundos exclusivos da Mauá?

Figueiredo: Não vamos fechar a área. Estamos conversando com os clientes. Como os fundos têm mandatos muito específicos, vários clientes vão transferir os fundos, mas a atividade não acaba. Como não estamos com a confiança necessária de que a gente vá gerar consistência nos fundos, o que estamos fazendo é uma mudança de perfil.

Broadcast: A Mauá pretende investir em fintechs?

Figueiredo: Já investimos em duas fintechs, a Pontte, de crédito imobiliário, e a Marvin, de crédito para empresas pequenas e médias, resultados das mudanças do BC de liberar os arranjos de pagamentos, que estão fazendo surgir novas empresas. A Mauá entende que só vale investir em fintechs se conseguir agregar valor. Não fazemos só investimento de capital.

 

Esta entrevista foi publicada no Broadcast+ no dia 03/09/21 às 15h15.

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