Negociações de empresas para compra massiva de vacinas não deslancharam

Negociações de empresas para compra massiva de vacinas não deslancharam

Circe Bonatelli e Matheus Piovesana

23 de março de 2021 | 11h35

Foto: Andrey Rudakov/Bloomberg via Washington Post

Mesmo após a criação da lei que autoriza a compra de vacinas pela iniciativa privada, as negociações empresariais para obter mais imunizantes ainda estão dispersas. Neste momento, existem diversos grupos espalhados pelo País avaliando a compra de vacinas junto a farmacêuticas estrangeiras. Aparentemente, nenhum acordo expressivo está perto de ser fechado.

Interesse há. Na semana passada, por exemplo, o empresário Carlos Wizard, da holding Sforza, disse que encabeça um grupo com potencial de comprar 10 milhões de imunizantes. Com o apoio de cerca de 100 empresas, as adesões têm crescido: as redes supermercadistas Carrefour e BIG teriam manifestado interesse de comprar mais 300 mil doses para seus funcionários. Procurados, Carrefour disse que avalia possibilidades e ainda não há nenhum acordo concreto. O BIG não se manifestou.

Contragosto. Boa parte da classe empresarial está insatisfeita com a determinação para que 100% dos imunizantes sejam doados para o Sistema Único de Saúde (SUS) até a vacinação dos grupos prioritários, que somam aproximadamente 78 milhões de pessoas. Só depois disso, as companhias poderão ficar com 50% das vacinas compradas. Até agora, apenas 4,2 milhões de brasileiros receberam as duas doses necessárias.

Alternativas. As empresas querem vacinar seu próprios funcionários, mas perceberam que vai demorar, tendo em vista o ritmo lento da imunização dos grupos prioritários. Por isso, os empresários estão procurando os parlamentares para que mudem a legislação e flexibilizem a aplicação das vacinas nos trabalhadores.

Nem todos pensam assim. A Coluna descobriu uma empresa listada na Bolsa que recebeu um pré-contrato para comprar um lote de poucos milhares de vacinas da Astrazeneca, com entrega em menos de dois meses. Como a transação não está fechada, a companhia preferiu falar off the records. A ideia, segundo a direção, é mostrar para conglomerados maiores ser possível acelerar a vacinação em massa no Brasil e a recuperação da economia como um todo – mesmo que isso implique não vacinar os próprios trabalhadores imediatamente.

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 19/03/2021

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