Novo CEO quer XP como ‘maior fintech do mundo’ e maior empresa financeira do Brasil

Novo CEO quer XP como ‘maior fintech do mundo’ e maior empresa financeira do Brasil

Cynthia Decloedt

15 de março de 2021 | 17h51

Foto: Vivian Koblinsky/Divulgação

Em carta enviada ontem à noite aos funcionários da XP, o novo presidente da plataforma, Thiago Maffra, olhou para longe. Após uma longa introdução com sua história pessoal e conquistas de sonhos – um dos mantras do fundador da companhia, Guilherme Benchimol – Maffra apontando para a construção da “maior e melhor fintech do mundo”. Ao mesmo tempo, disse estar certo de que a XP será a maior empresa financeira do Brasil nos próximos anos, reforçando o discurso de avanço da companhia sobre segmentos que hoje são dominados pelos grandes bancos. Na trilha da tecnologia, a inteligência de dados deve ser o próximo investimento da XP, conforme já havia antecipado.

O novo CEO da XP também alinhou seu discurso à centralidade no cliente. “O nosso grande desafio será fazer isso de forma diferente, por meio de uma transformação digital, em um modelo no qual produto, design, operações e tecnologia passam a estar totalmente integrados, olhando a jornada do cliente do início ao fim”, afirmou.

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Na carta, Maffra tocou ainda em um ponto abordado por Benchimol no lançamento do cartão de crédito da XP, na semana passada: o fazer com que os clientes retirem seu dinheiro dos bancos. Ele cita que a XP tem apenas 1% da receita total de R$ 770 bilhões do sistema financeiro do País e que, nesse sentido, “não descansaremos enquanto não tivermos transformado o mercado financeiro completamente”. No lançamento do cartão, Benchimol foi mais enfático, citando a necessidade de que esse elevado montante de receitas do sistema seja “destruído”, já que é, na visão dele, fruto da concentração bancária e das elevadas despesas dos clientes com serviços financeiros.

Maffra foi apresentado pela primeira vez ao mercado no ano passado, durante a divulgação do balanço da XP do terceiro trimestre, pelo diretor financeiro da companhia, Bruno Constantino. Foi uma guinada no discurso de expansão da empresa, que mudou o foco dos temas relacionados aos agentes autônomos para o da tecnologia.

Com cinco anos de casa, Maffra escalou sua carreira dentro da XP nos últimos três, liderando a estratégia e o desenvolvimento da plataforma de serviços financeiros baseados em tecnologia, e a transformação da cultura corporativa na mesma direção. Em entrevista ao Broadcast em dezembro, enfatizou que se tratava não somente de criar produtos, mas de uma mudança de postura.

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“Percebemos que tínhamos um modelo ultrapassado, e que para ser líder e dominar o ecossistema do mercado financeiro no Brasil precisávamos não apenas ter tecnologia, mas mudar a estrutura organizacional e a forma de lidar com ela”, disse. Na mesma conversa, o novo CEO da XP já apontava a direção em que pretende levar a companhia: ser reconhecida como a melhor empresa de tecnologia brasileira com inovações em outras áreas além do mundo dos investimentos.

A inteligência de dados é, aparentemente, o próximo “pulo do gato” da plataforma. Do último ano para cá, Maffra concentrou quase metade dos 3,8 mil funcionários da XP sob seu comando, graças a milhares de contratações feitas nos setores de tecnologia. O foco agora é amadurecer o que já feito na nova estrutura, em que a jornada do cliente é construída dentro dos 80 squads (grupos de trabalho) da área de tecnologia da XP, hoje dividida em quatro grandes áreas: engenharia, software, design e operações. A maior parte das contratações deste ano deve ser de profissionais de dados.

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Maffra assume uma empresa parruda, próxima dos 3 milhões de clientes, com R$ 660 bilhões em ativos sob custódia em dezembro e que viu seu lucro líquido dobrar no ano passado, para R$ 2,27 bilhões. Além disso, ele chega ao posto de CEO em um momento de avanço da empresa nos serviços bancários.

O banco digital da XP está quase pronto para operar. Em meados de 2021, a conta digital da plataforma será lançada e, posteriormente, virá o cartão de débito. O cartão de crédito foi lançado na semana passada. A pretensão não é a de ser um banco tradicional, e sim de criar um ecossistema para os clientes da plataforma de investimento, com produtos e serviços sempre baseados na lógica do investidor. O funcionamento do cartão de crédito é um exemplo da investida.

A XP, aliás, quer ser grande e a primeira em tudo. Também no banco de investimento, a companhia aposta estar em breve no topo do ranking dos maiores, após a aquisição, em dezembro do ano passado, da Riza, o que trouxe à empresa o sócio Marco Gonçalves, com larga experiência em fusões e aquisições. Com esse movimento, a XP firmou o tripé de negócios dos bancos do segmento, estabelecendo espaço nos mercados de estruturação de operações de mercado para empresas de renda fixa e variável.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 15/03/2021, às 09:18:56 .

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