Nubank mostrou a investidor internacional que País faz tecnologia de ponta

Nubank mostrou a investidor internacional que País faz tecnologia de ponta

Cristiane Barbieri e Altamiro Silva Junior

10 de dezembro de 2021 | 05h10

Banner do Nubank na fachada da Nyse, onde a empresa fez seu IPO  Foto:  REUTERS/Brendan McDermid

O sucesso da abertura de capital do Nubank na Bolsa de Nova York (Nyse) ontem teve um efeito inesperado: abriu os olhos dos investidores estrangeiros ao fato de que o Brasil tem empresas que produzem tecnologia de ponta e disruptiva. Apesar de fintechs como Stone e Pagseguro já terem ações na também norte-americana Nasdaq, elas são classificadas como do segmento de pagamentos – e não como banco completo, segundo o executivo de banco de investimento que acompanhou o processo. Com essa nova perspectiva, os próximos IPOs (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês) de empresas de tecnologia do País tendem a atrair mais estrangeiros, que começam a se familiarizar com a marca Brasil em inovação.

Como sempre, porém, levar o carimbo “Made in Brazil” carrega bônus – mas também ônus pesados. Um dos temas que mais afastou estrangeiros do Nubank foram os ruídos da economia brasileira, sobretudo a retirada da âncora fiscal, que causou incerteza e removeu parâmetros sobre as contas locais.

Curiosidade inédita

Porém, o apetite e o bolso do estrangeiro é infinitamente maior do que o do brasileiro – e a curiosidade em torno do Nubank foi inédita. O especialista, que trabalha na área há mais de 20 anos, diz nunca ter visto tanta curiosidade por parte dos investidores.

Houve dias com mais de dez reuniões com grandes fundos em Nova York. Muitos investidores globais que não costumavam olhar América Latina e Brasil tiveram de se inteirar sobre a região. E se surpreenderam com o nível de sofisticação do setor financeiro e a digitalização por aqui.

No livro de interessados na oferta, investidores institucionais brasileiros e fundos tradicionais de mercados emergentes acabaram ficando de fora da operação, pois não se convenceram dos números do Nubank. Em suas contas, o papel estava caro. A demanda se concentrou em grandes fundos norte-americanos, que fizeram apostas altas, pois estão mais acostumados a empresas mais caras.

O principal atrativo do Nubank foi a escalabilidade. Se ficar apenas nos países nos quais já atua – Brasil, México e Colômbia -, o potencial de crescimento é gigante. Há quem veja chance de o banco digital superar 100 milhões de clientes em cinco anos. O custo de US$ 1 na captação de clientes é considerado baixíssimo, mas há a certeza de que tende a aumentar, quando a base de capital exigida da instituição crescer.

Por outro lado, os gringos se surpreenderam com a força das regras brasileiras também em torno das fintechs. Havia a percepção generalizada de que a regulação da autoridade monetária era mais frouxa do que efetivamente é, o que aumentou os pontos positivos em relação ao investimento.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 09/12/21, às 16h25.

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