Nubank quer estar entre 100 maiores empresas dos EUA em IPO

Nubank quer estar entre 100 maiores empresas dos EUA em IPO

Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior

27 de agosto de 2021 | 05h10

Roadshows para testar o interesse dos investidores pela oferta serão em setembro. Foto: JF Diorio/Estadão

O Nubank testa, com investidores, alcançar um valor de mercado que pode colocá-lo entre as 100 maiores empresas norte-americanas e solidificar sua posição como um dos maiores bancos digitais do mundo. Nas rodas de conversa, a marca mágica da avaliação é de US$ 100 bilhões, valor que faria com que superasse o Airbnb e ficasse ao lado de empresas como a plataforma de conferências Zoom e gigantes tradicionais norte-americanas General Electric e 3M. Caso alcance a meta, o valor de mercado do Nubank por cliente estaria entre US$ 1,7 mil e US$ 2,3 mil. Em julho, o banco digital britânico Revolut foi avaliado em US$ 2 mil por cliente ou US$ 33 milhões em uma rodada de captação de US$ 800 milhões, liderada pelos gestores Softbank e Tiger Global Managment. Em fevereiro de 2020, o banco valia US$ 5,5 bilhões. Agora já é o maior do Reino Unido em valor de mercado.

A semelhança entre o Revolut e o Nubank é que ambos queimam caixa para expandir os clientes. A diferença está justamente nessa base. Enquanto o Revolut tem 15,5 milhões de clientes, o Nubank chega a 40 milhões. Na comparação com bancos tradicionais brasileiros, o banco digital gasta uma fração do que despendem, em custo de aquisição de cliente.

O Nubank deve fazer a submissão de documentos na Securities and Exchange Commission (SEC, que regula o mercado de capitais americano) na semana que vem, mas a documentação não é pública. A oferta de ações  (IPO, na sigla em inglês) na Nasdaq deve ocorrer entre fim de outubro e novembro, com captação prevista de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões. Os roadshows, nos quais o banco deve testar o interesse dos investidores, serão em setembro.

Avaliação mais realista

Especialistas dizem que o Nubank tem potencial de mercado muito grande e um modelo de negócio que está adiante dos concorrentes locais. Segundo um gestor que opera carteiras de ações no exterior, é “um bicho novo que todo mundo está tentando entender e se aproximar e o risco de dar certo e mudar o mundo parece relevante o suficiente para todo mundo querer estar um pouquinho junto.” Para ele, não existe um banco digital, em termos globais, comparável. “O Nubank é um case único em um mercado muito diferente como o Brasil, com potencial tão grande e competidores tão ineficientes”, disse.

A “grande sacada” do Nubank, nas palavras de um banqueiro de investimento, foi conseguir atrair, pouco antes do IPO o bilionário Warren Buffett que, por meio da gestora Berkshire Hathaway, aportou US$ 500 milhões no banco. Na operação, o Nubank foi avaliado em US$ 30 bilhões. Para um gestor em Nova York, com os US$ 100 bilhões, a instituição testa o topo das expectativas dos investidores. Uma avaliação ao redor de US$ 50 bilhões seria mais “realista”, diz.

Os coordenadores do IPO são Morgan Stanley, Goldman Sachs e Citi. Outros três estrangeiros – HSBC, Allen & Co e UBS – também foram selecionados. O JPMorgan, que recentemente anunciou aporte no banco digital C6 ficou de fora, assim como bancos brasileiros tradicionais, que nem foram convidados para participar. Procurado, o Nubank não comentou.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 26/08/21 às 18h15.

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