Número de fusões e aquisições cai 2,3% no primeiro semestre

Cynthia Decloedt

19 de julho de 2022 | 06h40

Hospital da Rede D’or, que anunciou fusão com a Sulamerica. FOTO: FABIO MOTTA/ESTADÃO

O ritmo de anúncios de operações de fusão e aquisição (M&A, na sigla em inglês) caiu nos primeiros seis meses deste ano frente ao primeiro semestre do ano passado, de acordo com o levantamento feito pela consultoria Kroll. Foram 735 transações no período de janeiro a junho deste ano, representando uma queda de 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Somente as 20 maiores, movimentaram quase R$ 62 bilhões. Em junho, especificamente, houve contração de 19,6% nos anúncios de transações, para 94, marcando o quarto mês seguido de redução nas transações.

O ambiente bastante conturbado no exterior tem prejudicado a tomada de decisões, com a inflação e juro em alta globalmente, assim como a queda no valor das empresas em bolsa, dificultando a leitura de alguns negócios. Muitos potenciais investidores tem preferido, ao mesmo tempo, preservar caixa.

As ofertas em bolsa, sejam as iniciais (IPOs, na sigla em inglês) ou as subsequentes ( follow-nos) estão tradicionalmente correlacionados com os volumes de transações de compra de empresas. No semestre, essas ofertas representaram 10% de tudo o que foi lançado na bolsa no ano passado. Até os investimentos de private equity e venture capital, que igualmente sustentam as fusões e aquisições, tiveram retração significante após recorde de R$ 40 bilhões em 2021.

Perspectiva para o ano que vem é conturbada

O cenário para 2023 não deve mudar tanto apesar de não haver mais o ruído causado pelas eleições presidenciais, como neste ano. Os investimentos continuarão seletivos e, certamente, as pressões de margens e custo de capital continuarão afetando estratégias de investimentos, na avaliação do responsável por finanças corporativas da Kroll no Brasil, Alexandre Pierantoni. Segundo ele, a perspectiva é que o mercado continue girando com investidores locais e estrangeiros que já conhecem o País.

Ainda que tecnologia tenha sido um dos setores mais afetados pela desvalorização da Bolsa, é nele que se concentra grande parte da atividade de fusões e aquisições, ao lado de serviços financeiros – onde a tecnologia está muito presente. Logística, energia e produtos de consumo também são segmentos econômicos que têm atraído investidores.

São os estratégicos, ou seja, investidores não financeiros, como fundos, que têm dominado os negócios. De acordo com a Kroll, 65% das transações foram feitas pelos investidores estratégicos, ilustrando mais uma vez o impacto da crise generalizada no custo do dinheiro para os investidores financeiros.

Esta nota foi publicada no Broadcast  no dia 18/07/22, às 13h53

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