B3 registra em março recorde de 2,27 mi de pessoas físicas, maior crescimento mensal da história

B3 registra em março recorde de 2,27 mi de pessoas físicas, maior crescimento mensal da história

Fernanda Guimarães

03 de abril de 2020 | 13h04

 

Mesmo em um mês em que o mecanismo de circuit breaker, que é a parada dos mercados após uma queda de 10%, foi acionado seis vezes, o número de pessoas físicas na B3 seguiu a trajetória de crescimento e alcançou 2,27 milhões em março, novo recorde. O aumento de CPFs registrados na depositária de ações da bolsa brasileira foi de 15% em relação fevereiro – o maior crescimento mensal na história. Isso ocorreu no mesmo mês em que o Ibovespa recuou 30%, registrando a maior queda mensal do índice em 22 anos.

O crescimento acentuado do número das pessoas físicas começou desde o fim de 2018, e vem se repetindo mês a mês desde então. Na esteira desse movimento, esses  investidores entraram com R$ 17,5 bilhões na bolsa no mês passado, movimento que se refletiu também na entrada de recursos nos fundos de ações, que tem registrado, apesar da aversão ao risco, captação líquida, ou seja, maior entrada do que saída de recursos.

“O ritmo de crescimento da base de investidores pessoa física ficou até mais acentuado em relação ao que vínhamos observando. É um ótimo sinal, mas ainda é cedo para concluirmos qualquer tendência de mais longo prazo, dado o cenário atual de alta volatilidade e incerteza que estamos vivendo”, afirmou o diretor de relacionamento com clientes da B3, Felipe Paiva.

O movimento ocorre, segundo especialistas, por conta da maturidade do investidor, somado ao ambiente de juros baixos no Brasil, que está levando as pessoas físicas a migrarem seus recursos para a renda variável. Essa é a primeira crise que o Brasil passa, assim, com um pano de fundo de juros baixos. A Selic já está na mínima história, em 3,75%, mas a tendência é de mais queda. Hoje, o Itaú Asset já lançou a aposta mais agressiva do mercado até aqui: cortou sua projeção de Selic para o fim desde ano de 3,75% para 1,5%. Com isso, apesar da volatilidade, a pessoa física continuou a apostar na renda variável, mesmo no período em que os mercados globais se abateram por conta das incertezas trazidas com o Covid-19.

Ao longo deste mês, e diante do novo contexto, os investidores tiveram grande acesso de conteúdos em dezenas de teleconferências, que começam a ser transmitidas ao longo de grande parte do dia, promovidas por corretoras, casas de análise de investimento, bancos e até escritórios de agentes autônomos, trazendo a opinião e percepções de gestores, empresário de diversos setores, especialistas e economistas. Tudo relacionado a investimentos diante da pandemia.

A percepção, no final do dia, é que os investidores terão que partir para a renda variável em busca de maior rentabilidade e muitos acreditarem que, após a queda, o momento de entrada era oportuno. Ao divulgar seu resultado trimestral, o fundador e o presidente da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, disse, mês passado, que o tema investimentos para os brasileiros se tornou uma prioridade, visto que com as atuais taxas de juros não seria “mais suficiente comprar títulos do governo ou um certificado de depósito de um grande banco, como no passado”. Isso ocorre, segundo ele, independente do cenário macroeconômico, que interfere, contudo, no mix de produtos a serem escolhidos.

Outra ponta

O movimento ocorre na contramão do fluxo dos investidores estrangeiros, que têm se afugentado dos mercados emergentes, algo que já vem sendo notado desde o ano passado. No acumulado de março, a saída líquida dos investimentos estrangeiros na Bolsa foi de R$ 24,207 bilhões, registrando a maior retirada nominal para um mês de março em toda a série histórica, que vem desde 1995.

Contato: fernanda.guimaraes@estadao.com

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