Odebrecht caça comprador para projeto imobiliário

Odebrecht caça comprador para projeto imobiliário

Coluna do Broadcast

20 de outubro de 2019 | 04h00

Por Circe Bonatelli

A construtora residencial OR (antiga Odebrecht Realizações Imobiliárias) está procurando compradores para o projeto de um mega empreendimento imobiliário no terreno do Carrefour na Marginal Pinheiros, zona sul de São Paulo. O projeto está aprovado desde 2017, mas não saiu do papel devido às dificuldades financeiras da OR e à crise que abateu o mercado. Agora, a recuperação do setor atraiu alguns interessados, como Tishman Speyer, HSI, Tegra e BR Properties. A consultoria CBRE está intermediando a transação. A OR espera fechar o negócio ainda este ano. Quem assinar o contrato terá de desembolsar em torno de R$ 850 milhões para realizar as obras. Parte pequena disso vai para o caixa da OR, dona do projeto.

A construtora anuncia como benefícios o fato de o terreno já ter passado por descontaminação e a contrapartida em obras viárias estarem prontas, o que reduziria os custos em R$ 50 milhões. Já aprovado na prefeitura, o projeto tem três torres – uma corporativa, uma residencial e uma de uso misto – com valor geral de vendas estimado em R$ 1,3 bilhão.

Mas antes de qualquer coisa, o novo dono terá o compromisso de erguer um shopping center para abrigar a nova loja do Carrefour, que não aceita interromper suas vendas no local. Só depois disso, a loja atual poderá ser demolida para a construção dos prédios. Ou seja, quem assumir o projeto precisará ter um fôlego financeiro. Outra dificuldade é o prazo. A obra precisa começar até outubro de 2020, conforme o licenciamento. Essas barreiras fizeram com que interessadas, como Eztec e VBI, abandonassem as negociações.

A OR informou, sem citar nomes, que as negociações com empresas interessadas “estão firmes”. O Carrefour disse que o contrato com a OR está em vigência e trabalha em parceria com a construtora para viabilizar o projeto. A Tishman confirmou que está em negociação para aquisição do projeto. A BR Properties chamou o caso de boato. Tegra e HSI não se pronunciaram. A CBRE disse que o negócio corre em sigilo e não pode se manifestar.

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