Odebrecht e bancos devem encerrar 2019 com acordo fechado sobre Braskem

Cynthia Decloedt

18 de dezembro de 2019 | 05h47

Pólo petroquímico da Braskem em Santo André, bairro Parque Capuava – FOTO DANIEL TEIXEIRA/AE

O período de festas entre o Natal e o Ano Novo deve ser marcado por reuniões entre executivos dos cinco maiores bancos do País e a Odebrecht, para dar a costura final em um acordo sobre a participação do grupo na petroquímica Braskem. A intenção é encerrar 2019 com o desenho concluído, com o objetivo de buscar a aprovação pelas instituições financeiras até 29 de janeiro. Nesta data, deve acontecer a assembleia de credores para a votação do plano de recuperação do grupo Odebrecht.

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Mãos vazias. Em jogo, está a participação acionária de 50,1% da Odebrecht na Braskem, hoje nas mãos de Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander. Essa participação da empresa foi concedida às instituições como garantias por empréstimos feitos ao grupo, para aliviar as dificuldades financeiras de suas subsidiárias, principalmente o braço de etanol Atvos, também em recuperação judicial.

Paciência. Os bancos já poderiam ter tomado as ações da Braskem, uma vez que não podem ser submetidas à proteção da Justiça, como acontece com outras dívidas que estão no processo de recuperação judicial. No entanto, os bancos conversam com o grupo para evitar dano maior. As negociações envolvem um prazo de até três anos sem execução da garantia para que a Odebrecht venda sua participação. É o prazo máximo, durante o qual o grupo terá direito a cerca de 80% dos dividendos gerados pela petroquímica, limitados a perto de R$ 1 bilhão. Espera-se que os problemas ambientais e sociais relacionados ao afundamento de três bairros em Alagoas, por conta da mina de sal-gema da Braskem, estejam resolvidos em 2020, a fim de melhorar o valor da companhia. Pelo preço atual das ações em Bolsa, a participação da Odebrecht na Braskem é suficiente apenas para o pagamento da dívida com os bancos, de cerca de R$ 13 bilhões.

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