Odebrecht pode pedir revisão de leniência

Odebrecht pode pedir revisão de leniência

Coluna do Broadcast

19 de junho de 2019 | 04h00

Agora em recuperação judicial, o grupo Odebrecht poderá pedir revisão do valor do acordo de leniência firmado com as autoridades brasileiras, segundo relato de pessoas próximas ao processo. Uma decisão nesse sentido ainda não foi, entretanto, definitivamente tomada. As multas decorrentes dos acordos fechados com os Estados Unidos, Suíça e Brasil somaram US$ 2,6 bilhões, sendo US$ 2,4 bilhões com o governo brasileiro, para pagamento em mais de 20 anos, corrigidos à taxa Selic. O ex-procurador chefe norte-americano que participou da Lava Jato, William Burck, comentou em visita ao Brasil no mês passado que a multa foi estabelecida com base em estudos de capacidade de pagamento feitos há dois anos, e que uma revisão não é de todo impossível, numa situação de recuperação judicial da companhia.

Acelerando. A construtora OEC, da Odebrecht, e os detentores de 42% dos US$ 2,9 bilhões em bônus por ela garantidos vão se reunir hoje. Assessorada pela Moelis & Company e pelo escritório norte-americano Cleary Gottlieb Steen & Hamilton , a OEC vai apresentar uma contraproposta às demandas desses credores. Novas reuniões estão previstas para a semana que vem. A OEC não está em recuperação judicial, mas trabalha para fechar um acordo extrajudicial. As conversas com os detentores de bônus têm sido a respeito de como melhorar o valor dos novos papéis, já que o desconto a ser aplicado nessa dívida tende a ser relevante.

Quase nada. Os bônus da OEC têm operado no mercado norte-americano com desconto de 94% a 92% do valor da dívida, o que indica que perderão mais do que os 70% de corte estimados nas negociações. Algumas das ideias para agregar valor aos novos papéis são participação no lucro futuro e até ações da construtora. Os papéis da Braskem, bastante demandados por todos os credores, também já estiveram na mesa das negociações. A expectativa da empresa é fechar uma proposta com os 45% dos credores até 4 de julho, e convencer outros 15% depois disso a assinarem um acordo, o que obrigaria todos os demais credores da construtora a concordar com esses termos. Procurada, a OEC não comentou.

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