Odebrecht quer Braskem dividida com mais credores

Odebrecht quer Braskem dividida com mais credores

Coluna do Broadcast

03 de julho de 2019 | 04h00

O grupo Odebrecht pode usar parte dos recursos provenientes da futura venda de sua participação de 50,1% na Braskem para pagar outros credores além dos bancos, que detêm praticamente todas as ações da petroquímica como garantia de empréstimos ao grupo. Isso pode implicar que esses bancos fiquem com fatia menor na Braskem. Ou seja, recuperem valor inferior ao que tinham garantido. Essa deve ser a tônica das negociações do conglomerado com bancos, que ainda não foi iniciada. O grupo pretende mostrar que não há outra saída aos bancos a não ser ceder, mesmo que tenham parte de suas dívidas fora da recuperação judicial. A Odebrecht vê na Braskem o ativo de maior valor e liquidez para enfrentar um passivo que alcança R$ 100 bilhões. A petroquímica vale R$ 28 bilhões.

Esticando cobertor. A Caixa Econômica Federal tem exigido direitos sobre os papéis da Braskem para se equiparar aos outros bancos. Para oferecer essa condição e fugir de possíveis litígios, a Odebrecht teria de levar esse direito a outros credores, que estão na mesma classe do banco público. Entre eles, o governo do Peru e os detentores de US$ 2,9 bilhões em bônus garantidos pelo braço de construção, a OEC.

Com aval. A Odebrecht aposta também que os bancos públicos se sentirão mais confortáveis em aceitar um desconto em suas dívidas com as negociações ocorrendo sob a supervisão de um juiz. Essa intermediação da Justiça minimizaria questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério Público sobre os termos.

Vai tempo. Existem questões relevantes, no entanto, para se chegar a um consenso. Entre elas, uma solução para a disputa da Braskem com o Estado do Alagoas, que conseguiu bloquear R$ 3,7 bilhões da companhia para garantir eventuais indenizações à população afetada pelo acidente geológico ocorrido em bairros próximos à área de extração de salgema em Maceió. Além disso, a Braskem tem de entregar os formulários 20-F à autoridade do mercado de capitais dos Estados Unidos, a SEC, relativos a 2017 e 2018. Procurada, a Odebrecht não comentou.

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