Oferta da Eletrobras atrapalha conversa de Corsan e BRK com mercado

Oferta da Eletrobras atrapalha conversa de Corsan e BRK com mercado

Cynthia Decloedt, Altamiro Silva Júnior e Circe Bonatelli

10 de junho de 2022 | 05h10

Cenário macroeconômico também dificulta ofertas de Corsan e BRK   Foto:  O Mensageiro

A oferta de ações de mais de R$ 30 bilhões da Eletrobras manteve gestores ocupados nas últimas semanas, atrapalhando a vida dos assessores das duas ofertas de saneamento, Corsan e BRK, que estão na fila para estrear em bolsa em julho. As duas tentarão captar ao menos R$ 3 bilhões em uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), mas há relatos de recusa de analistas para conversas que antecedem as apresentações formais, também chamadas de ‘pilot fishing’, por falta de tempo em agenda. A privatização da maior geradora de energia da América Latina, embora bastante esperada, desembarcou no mercado às pressas.

O lançamento de ambas as ofertas neste momento, apesar da ressaca de quase um ano que vive o mercado para IPOs, aconteceu justamente numa tentativa de aproveitar o interesse gerado pela Eletrobras. Existe uma demanda reprimida no mercado, de acordo com uma fonte. Mas com o cenário macroeconômico globalmente complexo e a oferta gigante da Eletrobras sugando as atenções, crescem as dificuldades para as ofertas de Corsan e BRK.

BRK pretende captar R$ 2 bilhões

A BRK pretende captar cerca de R$ 2 bilhões em uma oferta primária, na qual o dinheiro vai todo para o caixa. Será a primeira empresa privada de saneamento a fazer um IPO, e os recursos serão usados para bancar participações em licitações de concessões e parcerias público-privadas (PPPs).

No prospecto, a BRK ressalta que não vai usar o dinheiro para pagar dívidas, estratégia de algumas companhias em 2020 e 2021, que acabaram tendo de engavetar as ofertas. A companhia pertence à canadense Brookfield, dona de uma fatia 70% por meio de um fundo, e à Caixa, que tem os 30% restantes, via FI-FGTS.

Privatização da Corsan segue moldes da Eletrobras

Já a estatal gaúcha Corsan pode captar cerca de R$ 1,5 bilhão, em uma privatização que segue os moldes da Eletrobras. Haverá aumento de capital e o governo do Rio Grande do Sul vai diluir sua fatia de pouco mais de 50% para abaixo de 30%. A empresa a ser listada na Bolsa será uma companhia sem controle definido, conhecida no mercado como ‘corporation’.

Ainda na fila para emplacar uma oferta de ações, estão a CVC, que quer fazer uma emissão primária, de novas ações, para engordar o caixa, e a PetroRecôncavo, que pretende captar até R$ 2 bilhões para financiar fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês). A precificação está prevista para a próxima terça-feira (14).

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 09/06/22, às 18h05

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