Oferta de ações pode bater recorde de 2020 já em agosto, diz diretor do Bradesco BBI

Oferta de ações pode bater recorde de 2020 já em agosto, diz diretor do Bradesco BBI

Cynthia Decloedt

24 de fevereiro de 2021 | 18h00

 

Egberto Nogueira / Ima Foto galeria

Depois de encerrar a primeira janela deste ano com um total de ofertas de ações recorde, o head do Bradesco BBI, Felipe Thut, vê a possibilidade de o mercado alcançar o volume sem precedente de IPOs e follow-ons do ano passado já no início do segundo semestre. “Temos aqui uma estimativa hoje de que, sem dúvida nenhuma, vamos bater o volume do ano passado”, diz em conversa com o Broadcast, citando os R$ 128 bilhões em IPOs e follow-nos de 2020.

Para corroborar sua tese, Thut chama atenção para a inédita quantidade de ofertas em análise na Comissão de Valores Imobiliários (CVM) na virada de 2020 para 2021, e diz que até abril, com o que está público na CVM já são R$ 90 bilhões em ofertas. O Bradesco BBI tem cerca de 70 operações sendo preparadas para chegarem à bolsa até julho, acrescenta ele. Abril é o mês em que devem ser precificadas as ofertas da segunda janela do ano, com as empresas apresentando os números do balanço do quarto trimestre e de 2020.

Para ele, é preciso colocar em contexto duas questões que surgem com recorrência frente a períodos com avalanche de ofertas: a capacidade de absorção e a qualidade das empresas que chegam à bolsa.

Para defender o potencial de demanda do mercado de ações, Thut aponta para os R$ 350 bilhões que foram para fundos de ações e fundos multimercado no ano passado, sacados da renda fixa por investidores buscando remuneração. O interesse tende a seguir elevado no ambiente de juro baixo. “Uma parte dos R$ 350 bilhões que foram para os fundos buscam ações e R$ 128 bilhões é muito pouco em novas ofertas”, pontua.

Segundo o executivo, esse fenômeno é o que explica a grande “democratização” do mercado no ano passado, marcado por ofertas menores, com oportunidade para as empresas e os investidores de diversificar portolio. “Nas outras grandes safras de ofertas, nos anos de 2007, 2008 e 2009, havia um volume mínimo para se ter acesso à bolsa e isso caiu por terra, com várias ofertas tendo sido feitas em torno de R$ 600 milhões”, comenta o Thut.

Estoque

Sobre a qualidade, o executivo do Bradesco BBI afirma que o número de boas empresas com capital fechado é muito grande no País e que o mercado está muito longe do ponto de ter de levar à bolsa companhias de má qualidade. “Existe muito escrutínio.”

A questão está na capacidade dos gestores e investidores avaliarem o preço das ofertas. “Em 2021 vamos ver aumento na lucratividade das companhias em relação a 2020, quando, naturalmente, muitas delas foram afetadas pela pandemia. O desafio é entender com que grau de conforto os investidores acreditam que essa rentabilidade vai acontecer”, pontua ele.

Essa questão, somadas à agenda de reformas, deve balizar também a entrada dos estrangeiros nas ofertas, que vinham crescendo desde o segundo semestre do ano passado. Ele comenta que os estrangeiros deixaram também de olhar somente para o tamanho das ofertas e têm entrado em ofertas menores de bons nomes e boas histórias.

No IPO de R$ 871,2 milhões da Eletromídia, empresa de publicidade em espaços urbanos, os estrangeiros ficaram com 55% da oferta, por exemplo. A CSN Mineração, que é de um perfil de empresa e oferta maior, os gringos arremataram 60% das R$ 5,2 bilhões de ações de seu IPO.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 19/02/2021 às 16:01

O Broadcast+ é a plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse
http://www.broadcast.com.br/produtos/broadcastplus/

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Tudo o que sabemos sobre:

IPO#IPO #bolsa

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.