Oferta de CRA pode dobrar este ano e superar R$ 11 bi

Economia Estadão

12 de agosto de 2019 | 05h00

Ocenário macroeconômico impulsiona a procura por Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), tanto por empresas do agro como por investidores. A previsão é de que as emissões do título em 2019 superem R$ 11 bilhões, quase o dobro do contabilizado no ano passado, de R$ 6 bilhões, conta Fábio Fukuda, sócio e head de Renda Fixa em Mercado de Capitais da XP Investimentos. Entre janeiro e junho, as ofertas de CRA chegaram a R$ 5,5 bilhões, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Fukuda explica que companhias do agro aptas a captar recursos no exterior veem o CRA como opção mais vantajosa no momento: as taxas de juros cobradas no País estão mais baixas do que no mercado internacional. Para o investidor, o papel se mostra mais remunerador hoje do que outras aplicações, também pela isenção de Imposto de Renda. A melhor gestão financeira de produtores e empresas é outro estímulo ao investimento no CRA.

Apetite

A Belagrícola, distribuidora de insumos agrícolas controlada pela chinesa Dakang, acaba de captar R$ 56,2 milhões por meio de CRA e já vislumbra a segunda emissão do ano. O primeiro financiará as compras de cerca de 2 mil produtores; o segundo, estimado em R$ 50 milhões, atenderá em torno de 400 agricultores, prevê o diretor Financeiro da empresa, Fabio Jacob. A operação sustentará a meta de obter receita de R$ 800 milhões com a venda de insumos, 20% acima da do ano passado.

Novo na área

Quem também está de olho no mercado de CRAs é a startup Mark 2 Market. Após nove anos atuando com gestão de risco, a fintech solicitou à CVM aval para operar como depositária de CRAs, com foco em produtores e empresas de médio porte. Hoje, a B3 é a única depositária do mercado. A Mark 2 Market propõe centralizar em seu sistema documentos fornecidos pelos emissores, visando a dar mais segurança a investidores, conta Rodrigo Amato, CEO da startup. “A Selic em baixa estimula a demanda por investimentos mais remuneradores”, diz.

Bola da vez

Grandes empresas emissoras de CRAs não têm obrigação de enviar documentação à B3, segundo Amato. Os dados são entregues às securitizadoras, o que, para investidores, é uma operação segura. “As médias empresas têm dificuldade de emitir CRAs por não serem tão conhecidas. Queremos fornecer informações sobre elas porque a expansão dos CRAs deve vir deste segmento”, diz Amato, lembrando que o recuo do crédito com juros subsidiados estimula a busca por opções.

Nada desprezível

A elevação na mistura do biodiesel ao diesel de 10% (B10) para 11% (B11) trará uma economia estimada de US$ 1 bilhão ao ano. Conforme cálculos do Ministério das Minas e Energia, o valor considera a menor importação do combustível de petróleo. O B11 também deve fomentar as indústrias locais, já que a oferta do bicombustível aumentará 10% a partir de 1.º de setembro, quando a nova mistura passa a valer. O maior uso de biodiesel deve demandar 560 milhões de litros, volume que crescerá se a economia se recuperar.

De duas a uma

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) trabalha para evitar a tributação do etanol em uma única fase, caso seja autorizada a venda direta de usinas a postos de abastecimento. Hoje, impostos são recolhidos na indústria e na distribuidora. A entidade defende a adoção de um regime monofásico para a venda direta e a manutenção das duas etapas se a transação passar pelas distribuidoras. Para a Unica, a tributação em uma etapa faria as usinas perderem receita, assim como os quase 70 mil produtores de cana-de-açúcar, e aumentaria a carga tributária em até 80%.

Ouro branco

A tecnologia da produção brasileira de algodão surpreendeu o embaixador da Indonésia no Brasil, Edi Yusup. “A qualidade do algodão é excelente, mesmo com a produção em larga escala”, disse Yusup após visitar lavouras de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras (BA) em expedição promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo o diplomata, o país pretende adquirir “ainda mais” fibra brasileira.

Enquadrada

Entidades do agronegócio preparam manifesto contra a proposta defendida pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), de tributar a produção, inclusive de produtos exportados, em Estados. O setor lembra que Caiado é aliado histórico e liderou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Além de protocolarem a carta de repúdio à proposta no gabinete do goiano, trabalharão com outros governadores para que não a apoiem.

Sucesso

A 20ª Feira de Agronegócios Coopercitrus (Feacoop), realizada entre 29 de julho e 1º de agosto em Bebedouro, no interior paulista, gerou R$ 842 milhões em negócios e recebeu 12 mil visitantes. O volume financeiro supera em 40% os R$ 600 milhões movimentados em 2018 e em 29,5% o total estimado para 2019, de R$ 650 milhões. Em 2020, a feira terá novo nome: Coopercitrus Expo.

/Colaborou Isadora Duarte

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